Tenho me apropriado de imagens que tenho achado nos meus rolos de negativos revelados, imagens desconhecidas num arquivo que é meu. Em cada rolo de filme que tenho usado nos últimos quatorze anos, tenho oferecido o penúltimo click para outra pessoa fazê-lo. É inevitável que eu tenha certa lembrança de algumas destas cenas, mas em geral não guardo nenhuma informação adicional sobre ela e sobre a pessoa que realizou a fotografia. Não me importa a veracidade deste fato, apenas a ideia de que a penúltima imagem no rolo foi feita por outra pessoa, sem ao menos ter a certeza disso. Numa conversa rápida, acordamos apenas duas regras antes da fotografia ser tirada. Primeira: a foto não pode ser um autoretrato. Segunda: a pessoa não pode me retratar. Após esta abordagem, procuro não ver o momento do click, de forma que as imagens se tornem uma surpresa após a revelação. Com algumas poucas recusas e muitos sins, as fotos realizadas em cada ano formam o corpo desta revista. O número da revista se refere ao ano em que as fotografias foram feitas, e o título de cada imagem se refere ao ensaio que constava no filme em que a imagem apareceu, que na maioria das vezes é totalmente desconexo do assunto retratado, porém nesta primeira edição, os títulos das imagens surgiram de trechos que fazem parte do volume 1 da obra 1Q84 de Haruki Murakami .