Pensador April 2025 | Page 63

demissão do Primeiro-Ministro António Costa que engatilhou as eleições deste ano. O PS presidiu também a um período de inflação elevada e aos sectores da saúde e da educação em franca degradação; não é de admirar que se visse a perder 42 deputados no Parlamento. A Aliança Democrática conseguiu tirar partido da baixa confiança da parte dos votantes no PS para ganhar uma estreita maioria para a sua plataforma de centro-direita, fazendo com que Luís Montenegro assumisse Primeiro- Ministro. Mas se calhar o maior vencedor, mesmo que não tenha vencido de forma absoluta, foi o partido Chega.
Depois do seu nascimento em 2019, este partido usufruiu de uma ascensão meteórica, passando de um movimento na margem do maior Partido Social- Democrata ao terceiro peso-pesado na arena política portuguesa. Ao leme, o agitador André Ventura, cuja experiência como comentarista de futebol o tornou um orador feroz, defendendo uma plataforma que já foi categorizada por jornalistas políticos como xenófoba e de extrema-direita, ganhou um impressionante 18 % do voto. Como se viu noutras partes da Europa— Le Pen e Bardella em França, Abascal em Espanha, Weidel e Chupalla na Alemanha— e sobretudo na recente
Composição do parlamento depois das eleições de 2024
Aliança Democrática
Partido Socialista
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Chega
eleição de Trump nos EUA, a retórica populista e antissistema( na maior parte das vezes matizada com alguma combinação de nacionalismo e xenofobia) está em ascensão, e Portugal não é exceção. O ódio à máquina política de Chega, tão enfatizado por Ventura, é, ao que parece,
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