dominaram este continente nos anos 70— e o do país limítrofe, Espanha, que na altura ainda estava a um ano da morte de Franco. O programa do MFA expôs os seus objetivos ambiciosos: pôr cobro imediato às guerras coloniais e, consequentemente, conceder a independência às províncias ultramarinas do país, provocando assim a queda do último império pluricontinental do mundo; a abolição da PIDE, a encarnação mais brutal da repressão salazarista, e da censura; e, crucialmente, a restauração da democracia portuguesa depois de quase meio século de domínio autoritário.
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Certos sectores mais radicais do MFA, impulsionados pelo apoio popular, avançaram mais para a esquerda, para horror de General Spínola, o arquitecto do poder após-golpe- este conflito ideológico esteve à beira de se tornar um conflito físico no‘ Verão Quente’ de 1975. Mas, cinquenta anos passados, como se enquadram estes ideais originais no Portugal de hoje? A minha estadia em Coimbra— a cidade em si um viveiro de ideais revolucionários, tendo sido a sede da Casa dos Estudantes do Império que serviu de berço ao movimento anticolonial lusófono— coincidiu com as eleições 51