De um modo ou de outro, o essencial é a renúncia ao hegemo-
nismo, certamente o maior inimigo da iniciativa do centro radical,
por negar sua essência política. Talvez o mais provável seja a reali-
zação parcial das duas possibilidades, com a formação de um par-
tido que expresse de modo específico o programa do centro radical,
mas que se articule com outros atores políticos, os quais, ainda
que decididos a manter sua identidade partidária, participem da
construção e operação de um programa mínimo que estabeleça a
amplitude e limites da oposição democrática.
Em sintonia com essa visão, e embora consciente das dificul-
dades com determinadas personalidades, trajetórias e ideologias
(como Marina Silva e Ciro Gomes, por exemplo), penso que é neces-
sário dialogar, sem preconceitos, com todos os segmentos que
tenham potencial ou explícito interesse no programa. Para incluir,
com maior ou menor formalização, ou para estabelecer claramente
as diferenças e os seus porquês.
De todo modo, nesse plano do sistema partidário, os desafios
são a construção do programa e da articulação político-institucio-
nal, em forma de partido ou não, que o possa operacionalizar.
O segundo processo a nos desafiar desenvolve-se no plano da
atuação política junto à sociedade: como contribuir com a difusão,
na sociedade, do programa do centro.
Aqui as perguntas são muitas e as respostas são essenciais. O
que se pode esperar da relação entre a atuação partidária/inter-
partidária do centro radical no Parlamento e nos processos sociais
focados pelo seu programa? Em que consiste a militância política
do século 21 e como tratar os novos meios de comunicação digi-
tal? Sendo uma formação ampla pelo seu próprio programa, como
as correntes ideológicas específicas que formem o centro radical
manterão sua identidade a médio prazo, como se diferenciarão sem
comprometer a convergência com o programa do centro?
São perguntas relevantes, mas suas respostas talvez dependam
mais do tempo que da lógica ou do desejo.
Em ocorrendo este momento fundador do centro radical, no
imediato coloca-se a necessidade de planejar como pode a Roda
Democrática contribuir para multiplicar o processo de difusão e
debate, na sociedade, do programa do centro.
No plano do entendimento, aplica-se aqui a necessidade de
renúncia a hegemonismos e baluartismos, reflexos de estruturas
e heranças que são parte da nossa história e que estão sob crítica.
Os desafios dos democratas neste momento
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