Ivan Alves Filho, com sua obra O caminho do alferes Tiradentes
alcança resultado muito positivo, ele vai percorrendo os caminhos
e nos apresentando suas impressões, mas tudo vinculado às ques-
tões da humanidade – assim, a cada parada nos brinda com a his-
tória do lugar e seus personagens – quase que fazendo uma viagem
antropológica. Isso não é pouco, só pesquisadores mais refinados
e com percepção mais aguçada alcança essa façanha, como Sara-
mago e o nosso Ivan Alves Filho.
O fazer do historiador foi, aos poucos sendo ampliado, revisi-
tado e a cada obra, nos revela maturações. Seu livro O historia-
dor e o tapeceiro, publicado pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP),
em 2015, permitiu-nos maior compreensão do tanto que o autor
enfrentara para chegar a tal ponto. Lá em sua página 139, regis-
trou: “A História é o que é por combinar ação humana e movimento
ou dinâmica das estruturas, tocadas estas pelos próprios homens.”
Esta pode ser uma das diretrizes para sua grandeza, perceber e
registrar que o “homem” é a própria dinâmica de tudo e sem ele os
caminhos não têm sentido, muito menos as viagens. E, reforçando,
é por isso que salientamos que a antropologia cresce em sua obra e
a enriquece sobremaneira.
O homem com seus grandes feitos é descoberto, apreciado,
entrevistado e revelado pelo pesquisador – seus fazeres, suas som-
bras, suas máculas, suas experiências, seus adjetivos. Vários
“homens” estão registrados, juntamente com seus grandes feitos,
mas não é só isso que interessa ao pesquisador, interessa tam-
bém o anônimo, aquele que ainda não foi iluminado por um ou
outro motivo; porém, mesmo no anonimato sua vida, está impreg-
nado de fazeres, de histórias e de memórias. É por isso que em O
caminho do alferes Tiradentes encontramos o Silva Xavier, padre
Toledo, Antônio Francisco Lisboa, os poetas Claudio Manoel da
Costa e Tomaz Antônio Gonzaga, Hans-Joachin Koellreuter, Guig-
nard, Carlos Scliar, Carlos Bracher e tantos outros, mas também
o ceramista Tião Paineira, o marceneiro Aranha ou o construtor de
carro de boi mestre Geraldo Melo. Todos revelados e igualmente
transbordantes de humanidades.
A História e o historiador – Ivan Alves Filho, em mais uma obra,
enfrenta os desafios da construção de uma narrativa. A História que
transcende os documentos esquecidos nos arquivos, além disso, a
História de cada um e que ainda não foi contada. Trata-se da memó-
ria oral, que a cada dia se perde por esse Brasil tão grande, tão con-
tinental. Louvemos! Ivan Alves Filho tornou-se, também, todo ouvido
e soube, como poucos, ouvir e escrever essas histórias, coletadas por
estes caminhos por onde o alferes Tiradentes circulou.
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Luiz Antonio da Cruz