Pedras e Demônios pd53 | Page 196

Ivan Alves Filho, com sua obra O caminho do alferes Tiradentes alcança resultado muito positivo, ele vai percorrendo os caminhos e nos apresentando suas impressões, mas tudo vinculado às ques- tões da humanidade – assim, a cada parada nos brinda com a his- tória do lugar e seus personagens – quase que fazendo uma viagem antropológica. Isso não é pouco, só pesquisadores mais refinados e com percepção mais aguçada alcança essa façanha, como Sara- mago e o nosso Ivan Alves Filho. O fazer do historiador foi, aos poucos sendo ampliado, revisi- tado e a cada obra, nos revela maturações. Seu livro O historia- dor e o tapeceiro, publicado pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), em 2015, permitiu-nos maior compreensão do tanto que o autor enfrentara para chegar a tal ponto. Lá em sua página 139, regis- trou: “A História é o que é por combinar ação humana e movimento ou dinâmica das estruturas, tocadas estas pelos próprios homens.” Esta pode ser uma das diretrizes para sua grandeza, perceber e registrar que o “homem” é a própria dinâmica de tudo e sem ele os caminhos não têm sentido, muito menos as viagens. E, reforçando, é por isso que salientamos que a antropologia cresce em sua obra e a enriquece sobremaneira. O homem com seus grandes feitos é descoberto, apreciado, entrevistado e revelado pelo pesquisador – seus fazeres, suas som- bras, suas máculas, suas experiências, seus adjetivos. Vários “homens” estão registrados, juntamente com seus grandes feitos, mas não é só isso que interessa ao pesquisador, interessa tam- bém o anônimo, aquele que ainda não foi iluminado por um ou outro motivo; porém, mesmo no anonimato sua vida, está impreg- nado de fazeres, de histórias e de memórias. É por isso que em O caminho do alferes Tiradentes encontramos o Silva Xavier, padre Toledo, Antônio Francisco Lisboa, os poetas Claudio Manoel da Costa e Tomaz Antônio Gonzaga, Hans-Joachin Koellreuter, Guig- nard, Carlos Scliar, Carlos Bracher e tantos outros, mas também o ceramista Tião Paineira, o marceneiro Aranha ou o construtor de carro de boi mestre Geraldo Melo. Todos revelados e igualmente transbordantes de humanidades. A História e o historiador – Ivan Alves Filho, em mais uma obra, enfrenta os desafios da construção de uma narrativa. A História que transcende os documentos esquecidos nos arquivos, além disso, a História de cada um e que ainda não foi contada. Trata-se da memó- ria oral, que a cada dia se perde por esse Brasil tão grande, tão con- tinental. Louvemos! Ivan Alves Filho tornou-se, também, todo ouvido e soube, como poucos, ouvir e escrever essas histórias, coletadas por estes caminhos por onde o alferes Tiradentes circulou. 194 Luiz Antonio da Cruz