Fotografia de Sandra Andrade Anmdrade
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Não há explicação. Quem nunca sentiu isso?
Todos nós já tomámos decisões complicadas e já fomos, por isso,
moralmente condenados por terceiros
de vida vazia e língua afiada que,
tão fácil e levianamente,
apontam o dedo aos outros sem fazerem
a mais pálida ideia da gravidade da situação.
Moral da história: só quem passa por ‘elas’, é que sabe!
Há momentos na vida em que temos de calçar os sapatos dos outros.
E sapatos há muitos.
Pequenos, grandes, uns mais largos, outros mais estreitos, enfim, para todos os gostos e tipos de pés.
E, já dizia o meu pai de criação,
‘’há de haver sempre um chinelo velho para um pé doente!’’
A expressão ‘’antes de me julgares, calça os meus sapatos e percorre o meu caminho,
vive as minhas tristezas, etc. e … só aí poderás julgar-me’’ diz muito.
E muito se poderia divagar à volta do significado da palavra empatia.
No entanto,
prefiro descalçar-me e usar os sapatos.
É bem mais simples e mais justo.
Quer calçar os meus?
Alexandra Soares do Nascimento