As noites já tinham sido de azul e dourado
As noites já tinham sido de azul e dourado - Banhadas pela Lua, coloridas pelo som dos animais nocturnos.
Mas para ele, a palavra nunca redundava demasiadas vezes na sua cabeça. A palavra impossível era demasiado grande para ocupar toda a sua mente.
E a culpa era toda dela.
Tinham passado doze anos desde que entrara na sua vida. Era linda, tornava-o numa pessoa que nunca fora, eufórica, extrovertida, descontraída.
A noite tinha muito mais cores, as pessoas faziam parte dela e não só os que agora achava ridículos animais, cujos sons já nem ouvia.
Tornara-se criativo. Escrevia e tocava guitarra como ninguém. Sentia-se um rei, o maior! Ela era sem dúvida, o que sempre faltara para o completar!
Da paixão passou ao amor. Do amor ao ódio...
A cocaína tinha esse poder.
De fazer amar e odiar simultaneamente. Nunca se sentira tão bem mas também nunca se sentira tão mal.
Resolveu então juntar a heroína. Mantinha-o calmo durante o dia... Mas o ódio não tardou. E estava num beco sem saída...
Até que uma voz doce o despertou enquanto dormia numa rua qualquer. Trouxera-lhe comida, água e os olhos mais meigos que alguma vez vira. Quando as palavras de solidariedade brotaram daqueles lábios, chorou.
52