Na maior parte das situações menos boas da minha vida perdoei sem que me tivesse sido pedido. Foram atos voluntários, por assim dizer…
A sensação que fica quando descubro que perdoei deixa-me muito mais leve.
Não consigo entender essa frase tão comumente usada: perdoei mas não esqueci.
Para mim perdoar é o coração conseguir apagar o que o magoou, logo, por consequência, implica que se esqueça a ofensa.
Estar no outro lado da barricada também é complicado, daí que considero o ato de pedir perdão ainda mais nobre do que o de perdoar, pois tal requer o reconhecimento de que errámos e magoámos e assumir essa falha não é para todos, pois muitos de nós não sabem lidar com o lado negativo da medalha que é o de não sermos perdoados… A outra parte tem o direito de não perdoar.
A meu ver o mais libertador dos perdões, aquele que é mais difícil, é perdoar-nos a nós próprios.
Enquanto não conseguimos aceitar e perdoar as nossas falhas, enganos, erros, etc… não nos libertamos de uma culpa que nos consome e essa castração aumenta a cada dia.
Só há bem pouco tempo realizei o quão imprescindível é nesta nossa caminhada perdoarmo-nos, pois não há nada pior do que vivermos com remorsos e culpas. No dia em que aprendi a perdoar-me senti desfazerem-se as amarras que me impediam de ser feliz.
Fica, então, um desafio: encontrar e perdoar algo que está escondido dentro do seu coração e começar, assim, a aprender a ser (verdadeiramente) feliz.
*Texto escrito conforme o Novo Acordo Ortográfico
Marta Veludo
Nascida em Angola sente-se uma cidadão do mundo.
È mãe de dois filhos. Adora comunicar através da escrita.
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