Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Page 68
6. OCUPAÇÃO EFÊMERA: a FeliS e seus impactos no Centro Histórico.
As principais e oficiais valorizações do Centro Histórico de São Luís como
importância arquitetônica, histórica, paisagística, urbanística e cultural vem por meio
das titulações concebidas pela UNESCO, as recomendações do IPHAN e os diversos
estudos que visam garantir que São Luís, enquanto Sítio Histórico Urbano Nacional e
Patrimônio Mundial, tenha sua preservação, conservação e proteção mantidas. Contudo,
vale ressaltar que um Centro Histórico, sendo parte de uma cidade em crescente
desenvolvimento, não é um organismo isolado no passado. A história se preserva
através da relação passado-presente-futuro e apenas se sustenta através de medidas que
o insiram na vida das pessoas, agentes fundamentais da preservação.
Garantir um Centro Histórico ocupado é garantir a preservação e a
perpetuação da história de uma cidade. María Lucía Fernández (2011) afirma, em seu
artigo "Memoria urbana e identidad", que as cidades são frutos da memória cultural e do
reconhecimento de suas raízes culturais, principalmente por parte dos habitantes, para
assim constituir a identidade. Assim como, o estabelecimento da memória urbana ocorre
pela relação entre os espaços, as edificações e as experiências.
La ciudad y la arquitectura dialogan y conviven com sus habitantes
construyendo um proceso continuo de comunicación y significados,
[...]. No solo se componen de elementos físicos, sino que también son
constituyentes de ellas el conjunto de cotumbres, tradiciones, hábitos
y formas de vida de la sociedad. Frente a una concepción "cosística"
de la ciudad hoy tendemos a contemplarla como "practice" e
interacción social, como arquitectura moral y simbólica y como lugar
de la memoría y de la historia colectiva. (FERNÁNDEZ, 2011, p.2).
A Feira do Livro de São Luís como ocupação e arquitetura efêmera remete a
um interesse de correlacionar cidade, população e literatura. A FeliS completou, em
2016, dez anos e trouxe como tema "Ler a Cidade e suas Memórias", com a proposta de
regaste da memória, dos patronos e do imaginário da cidade por meio da literatura
(FELIS, 2016). A feira teve como patrono o poeta Gonçalves Dias, no qual recebeu
homenagens e teve sua biografia comentada em palestras e debates. Diversas atividades
ligadas ao cinema, ao teatro, à produção literária e às exposições foram desenvolvidas
durante os sete dias de realização da FeliS.