Ocupação Efêmera da FeliS e seus impactos no Centro Histórico. Espaço público e ocupação efêmera | Page 23

3. UM OLHAR TEÓRICO SOBRE OCUPAÇÃO E ARQUITETURA EFÊMERAS. A cidade é um organismo que se mantém vivo através do que a movimenta e a transforma. Esta constante transformação, não somente da cidade como de seus habitantes, resulta em um grande número de manifestações pelo incentivo à utilização dos espaços que a compõem, tornando-se cada vez mais forte. Desta forma, os estudos sobre o processo da inserção da arquitetura e da ocupação efêmeras se baseiam em diversas questões como: um instrumento do poder público para estimular a ocupação em horários inusitados, a promoção de um movimento de apropriação dos espaços públicos e a potencialidade gerada por meio de eventos culturais para a transformação da cidade. Conforme considera Patrícia Rodriguez Aloma: Considerar o espaço público como o lugar por excelência para interagir com a arte em geral: uma galeria gigante, um enorme museu, um teatro singular... onde as mais diversas manifestações artísticas podem ter lugar de maneira efêmera, temporal ou mesmo permanente. Isto permite democratizar o consumo cultural. (ALOMA, P. R; 2013, p.02) O termo "ocupação" é visto por especialistas em planejamento urbano como uma ação de apropriar-se de um espaço ou imóvel, por um determinado tempo e com uma finalidade. A expressão "efêmera" surge no contexto da arquitetura e do urbanismo, segundo Puentes (2013), para designar intervenções físicas nas cidades com caráter passageiro. Tais intervenções, quando do tipo artísticas, são vistas como geradoras de transcendência entre a cidade e o tempo (GOMES, 2009). Na qual são estabelecidas as relações de arte/arquitetura/cidade e/ou arte/lugar/cidade e que, por consequência, podem alcançar a cidadania e os direitos humanos 18 . Quando está relacionado aos termos arquitetônicos, o efêmero surge associado a construções específicas destinadas a dar apoio às grandes festividades ou eventos, alojamentos temporários ou manifestações religiosas (RIVAS, 2015, p.06). As origens da utilização deste tipo de arquitetura provêm das sociedades nômades, sendo resultado da necessidade de abrigo (ROMANO; DE PARIS; NEUENFELDT, 2013, 18 Ver GOMES, 2009, p.17.