O reencontro da esquerda democrática e a nova política | Page 58
O PT se recusou a participar do novo governo, afastando
do partido a ex-prefeita de São Paulo, Luíza Erundina, que aceitara o convite para chefiar, em caráter pessoal, o Ministério
da Administração.
Diante do quadro de dificuldades econômicas, o PT acreditava
no fracasso do novo governo e do Plano Real, lançado em 1994, medidas que Lula e o seu partido acusavam de eleitoreiras. Assim, o PT
queria se preservar para a eleição presidencial marcada para outubro
daquele ano, tendo como prioridade o seu projeto partidário.
PPS e PSB no governo Itamar
Além de nomear um ministério com perfil de centro-esquerda, refletindo a correlação de forças dos partidos democráticos
representados no Congresso Nacional, Itamar escolheu Roberto
Freire, presidente do PPS, para líder do governo na Câmara, e
Pedro Simon, do PMDB ulyssista, líder do governo no Senado.
O PSB foi contemplado com dois importantes ministérios, o
da Saúde e o da Cultura, cujos titulares eram homens respeitados e
representativos do seu setor. Para o Ministério da Saúde foi indicado o médico e senador Jamil Haddad, socialista histórico do Rio de
Janeiro, que promoveu a descentralização do SUS, com a criação
dos Conselhos Municipais de Saúde, responsável pela definição e
fiscalização de políticas na área. Além de injetar recursos nos laboratórios oficiais para a produção de medicamentos, iniciou, em
convênio com o MEC, a recuperação dos hospitais universitários.
Na sua gestão, foram lançadas as bases para a adoção posterior da Lei do Medicamento Genérico, com o decreto assinado pelo
presidente Itamar Franco, que determinava a inscrição do componente ativo em tamanho maior do que a marca nas embalagens dos
remédios. Anteriormente, em 1991, o então deputado federal do
PT, Eduardo Jorge, hoje dirigente do PV, apresentara projeto de
lei para remover marcas comerciais dos medicamentos.
56
O reencontro da Esquerda Democrática e a Nova Política