O reencontro da esquerda democrática e a nova política | Página 139
Com um apoio amplo entre os deputados e senadores, Itamar
conseguiu aprovar no Congresso importantes medidas de ajuste
que serviram de base para o lançamento do Plano Real, responsável pela derrubada da inflação ainda no seu governo.
A Presidência de Fernando Henrique Cardoso
O candidato do PSDB foi eleito, no primeiro turno, em 1994,
mas o seu partido, apesar do avanço, ainda era a terceira força no
Congresso. O PFL, aliado de primeira hora, ficou em segundo nas
eleições parlamentares. O PMDB, que se integrou majoritariamente
ao novo governo e ocupou dois ministérios, continuou a primeira
força política na Câmara, com 107 deputados; PFL, com 89; PSDB,
ampliou de 38 para 63; PTB, que aderiu ao bloco governista, com 31
deputados; PT, com 49; PDT,com 34; PSB, com 15; PPS, com 3.
Fernando Henrique compôs um governo com predominância do PSDB na área econômica. Líderes deste partido ocuparam
ministérios importantes, como Paulo Renato, na Educação; Sérgio
Motta, nas Comunicações; e, posteriormente, José Serra, na Saúde.
Outras pastas serviram para acomodar os aliados. À frente das
agências reguladoras, criadas então, atuaram principalmente
quadros técnicos.
O presidente aproveitou a popularidade do Plano Real para
governar com apoio no Congresso. Mas, já na segunda metade do
mandato, a economia começou a apresentar problemas. Um deles
estava na “âncora cambial”, que serviu para balizar os preços. Ao
estabelecer o câmbio fixo com o real no valor de um dólar e abrir a
economia à importação, portanto à competição internacional, o
governo conseguiu derrubar os preços internos. Mas, por outro lado,
provocou a “farra dos importados”, o que ocasionou déficit comercial e baixas reservas em moeda estrangeira. A crise das moedas dos
países emergentes, como no México, Ásia, Rússia e Argentina,
provocaram fuga de capitais e, consequentemente, crise de reservas
no Brasil. O governo foi obrigado a desvalorizar o real e aumentar a
taxa de juros, provocando baixo crescimento e desemprego.
A crise do presidencialismo de coalizão
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