O reencontro da esquerda democrática e a nova política | Page 137
mento de preços do Plano Cruzado, o partido ao qual o novo presidente havia se filiado foi amplamente vitorioso: PMDB, 260 deputados, 53,39% da Câmara dos Deputados; PFL, 118 deputados,
24,23% das cadeiras; o PDS, que havia apoiado o candidato a
presidente da ditadura, Paulo Maluf, sofreu um forte revés: 33
deputados, 6,78% dos votos; os demais partidos obtiveram menos
de 5% de apoio: PT, 18 deputados, 3,28% dos votos e 18 deputados; PCB, recém-legalizado, 3 deputados; PSB, que se reorganizara no ano anterior, uma deputada.
A Presidência de José Sarney
Apesar de ter mais de 80% da Câmara, após a adesão dos 17
deputados do novo PTB, o governo José Sarney enfrentou dificuldades no Congresso, pois sua base parlamentar se dividiu em dois
grandes blocos na Constituinte.
Ligado ao presidente Sarney, constituiu-se um bloco conservador, o “Centrão”, apoiado principalmente pelo PFL, em oposição
ao bloco progressista liderado pelo presidente do PMDB e da Constituinte, deputado Ulysses Guimarães.
As dificuldades do chefe do Executivo se avolumaram com a
queda de sua popularidade, após abrir mão do congelamento de
preços, uma vez passadas as eleições de 1986. Os seguidos pacotes
não resolveram a crise econômica nem detiveram a alta galopante
da inflação.
A situação se agravou com o afastamento do PMDB do governo da maioria após a votação do tempo de mandato de Sarney para
5 anos, enquanto os progressistas e o grupo ulyssista defendiam 4
anos, conforme compromisso assumido quando da formação da
Aliança Democrática entre PMDB e PFL, união que deu vitória a
Tancredo Neves.
O último ano da Presidência de Sarney foi de crise econômica, social e política. Sem o apoio do maior partido do país, restou
ao governo empurrar as dificuldades e postergar medidas, como
A crise do presidencialismo de coalizão
135