O reencontro da esquerda democrática e a nova política | Page 103

da de trabalho de 44 para 40 horas semanais –, o texto deveria ser substituído. (19) Dias depois, o jornal trouxe a opinião da ex-petista Sandra Starling: Não venham me dizer que foi engano, não. Era para manter a coesão interna do PT com os setores à esquerda. Aquele programa foi o preço para manter todo mundo em volta da Dilma. Depois vem o PMDB, chia e ninguém sabe qual vai ser o programa aplicado. Isso é apenas uma amostra de uma coisa não inteiramente colocada, não transparente. Eu não gosto disso. (20) O jornal também noticiou que “sem PMDB, PT faz 3ª versão de documento” (21). Apesar da posição autoritária e impositiva do seu aliado, o “PMDB atua para acalmar empresários”, segundo a Folha: “Partido negocia montagem de um novo programa de governo e, aliado a Palocci, combate alas radicais do PT. Presidente da Câmara [Michel Temer] diz que apresentação do programa de Dilma “foi um cochilo” e promete novo texto em agosto. (22) Naquele mês, o jornal informou que o “novo programa de governo de Dilma fica mais genérico”, sem pontos polêmicos como a taxação de grandes fortunas e redução da jornada de trabalho. (23) É legítimo que um partido socialista reformista, nas condições em que atua, negocie o seu programa de governo com outras forças políticas e sociais, inclusive com o empresariado, em torno de um projeto de desenvolvimento para o país. Porém, deve fazê-lo abertamente, sem esconder de seus militantes e da sociedade os termos da negociação. A montagem do Ministério e a tentativa de enfraquecer o PSB A relação instrumental dos aliados se verificou na composição do Ministério da eleita Dilma Rousseff. O PMDB teve seu espaA política de alianças do PT e seu hegemonismo 101