Olhei para ti
As camélias do jardim bailavam ao vento
Deslumbrantes
À deriva
De uma paisagem alucinante
Envolveram-se dessa brisa
Perfumada do ar
As pétalas e as folhas
Como que flutuando no mar
E a esperança vagava
Entre a espuma da maré
Como um barquinho de papel
Que lutava
Ante as forças abissais do tormento
No céu, miríades de gaivotas planavam
Testemunhas desse sonial instante
Eram fragmentos do eterno
Que compunham a beleza singela do teu peito
Desnudo, entre as colinas do desejo
Olhei para ti, uma última vez
Os teus olhos refletiram-se nos meus
Eram iluminuras criadas por devaneio sublime
Eram mundos excelsos
Que me inebriavam
Eras tu, sorridente
Era eu, perdido
Diante do futuro
A procurar-te
Como uma borboleta colorida
Entre os canteiros do silêncio.
Pedro Barão de Campos.
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