CINE-CLUBE
Durante uma hora e quarenta minutos, emocionei-me profundamente com o sensível documentário-ficcional O cérebro de Hugo, realizado por Sophie Révil, que aborda um tema incômodo e ainda não muito bem compreendido: o autismo.
O documentário intercala a história de Hugo – reunindo em um único personagem os múltiplos obstáculos vividos por diversas pessoas – com os depoimentos reais de crianças, adolescentes e adultos, portadores dessa síndrome que compromete as habilidades de comunicação e interação social.
Recordei que até há bem pouco tempo (início dos anos 1980) vigorava a tese do psicólogo Bruno Bettelheim, pela qual as crianças se enclausuravam em si mesmas para se protegerem da frieza emocional de suas mães, apelidadas de “mães geladeiras”.
Não consigo mensurar o sofrimento vivido por essas mulheres que, ao procurarem ajuda, eram apontadas como responsáveis pelo insucesso comportamental de seus filhos.
O documentário retrata a dificuldade que os autistas têm em interagir com familiares e estranhos, e os esforços feitos por todos aqueles que os amam para que consigam criar laços afetivos e explorar suas capacidades intelectuais e artísticas.
O cérebro de Hugo é uma ponte que cruza um rio caudaloso, repleto de redemoinhos traiçoeiros, como a ignorância e o preconceito. No entanto, quem conseguir chegar à outra margem, perceberá que eles, assim como nós, desejam apenas ser aceitos e amados.
https://fagulhadeideias.wordpress.com/2015/06/09/documentario-o-cerebro-de-hugo/
O CÉREBRO DE HUGO
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