O Mocho n.º 23 Fevereiro/Março 2016 | Page 31

Primavera, Dia da Poesia

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As palavras alinhadas na folha alva

Encontram-se desirmanadas

Perdidas, sem sentido.

O dia cinzento e as emoções perdem-se

Nas sílabas cinzentas, nubladas, perdidas

Na escuridão da tristeza do dia.

As hastes das consoantes e a leveza das vogais

Não encontram uma sinergia que lhes dê sentido,

Que force a alma do poeta na folha de papel.

E este, perdido nas sensações perdidas,

Não encontra o caminho no labirinto de emoções,

Força o caminho, tentando imprimir energia

Às palavras que saltam para o papel, mas que se perdem,

Seja devido à tristeza sentida,

Seja porque não encontram sentido na floresta dos sons.

É a melancolia da tristeza, espraiada na folha de papel.

Floresta de traços, produto de uma experiência falhada.

São as emoções perdidas num beco-sem-saída.