O Mocho n.º 22 janeiro 2016 | Page 5

CINE-CLUBE

TEMPOS MODERNOS

Charles Spencer Chaplin (1889-1977) nasceu em Londres, Inglaterra, no dia 6 de abril de 1889. Foi ator, compositor, cineasta, dançarino, diretor e produtor cinematográfico, notabilizou-se por suas mímicas e comédias do gênero pastelão tornando-se o maior ator cinematográfico do cinema mudo. Filmografia: Carlitos Casa nova, 1914; O Vagabundo, 1915; Tempos Modernos,1936; entre outros. Faleceu em Vevey, na Suíça, no dia 25 de dezembro de 1977.

Tempos Modernos, “Uma história sobre a indústria, a iniciativa privada e a cruzada da humanidade em busca da felicidade”. A meu ver, que inicialmente teria o nome de “As Massas”, traz uma mensagem social, porque é uma crítica ao Taylorismo- Fordismo e ao capitalismo selvagem, nos primeiros anos após a Grande Depressão Americana (1929).

Charles Chaplin debruça-se sobre as teorias tayloristas e fordistas para através do cinema apresentar uma obra mímica, metafórica e satírica, marcando a transição do cinema mudo para o cinema falado. Além do mais, o filme apresenta aspectos da Teoria Científica, de igual forma, elementos da Teoria Clássica da Administração.

Na simbologia do filme temos algumas metáforas ideológicas: o rebanho correndo para o abatedouro (o povo correndo para o trabalho); o relógio (tempo é dinheiro, trabalho é controlado pelo tempo); o símbolo ideológico quando o personagem principal balança a bandeira indicando sua adesão às causas comunistas.

Carlitos simboliza, em Tempos Modernos, a imagem do operário, e muito embora algumas cenas me pareça humorística, Chaplin consegue evidenciar o drama do proletariado em busca de oportunidades, de sobrevivência, pós crise de 1929, e o drama da fome representados pelos dois personagens principais: o operário desempregado e a mendiga.

Na visão de Taylor o operário não tem capacidade, nem formação, nem meios para analisar cientificamente seu trabalho e estabelecer racionalmente o método ou processo mais eficiente (Chiavenato, 2011, p. 57). Assim, o operário servia apenas para receber ordens e executar tarefas, era visto como vadio, preguiçoso, razão pela qual era imprescindível a presença do supervisor no processo produtivo. Chaplin sintetiza isso quando o supervisor controla a execução das tarefas apontando o dedo indicador para a esteira; quando retrata o personagem Carlitos como vagabundo, ainda que a morte social de Carlitos simbolize a busca pela felicidade, a sociedade capitalista não enxerga desse modo porque o vê como um irresponsável, vagabundo ou insano. O clímax de tudo isso é quando o personagem vai parar no hospício e na prisão, uma crítica evidente a força coercitiva do estado e a burguesia capitalista expressada simbolicamente nos elementos prisão e hospício.

Fonte : http://www.ebah.pt/content/ABAAAgh-4AJ/tempos-modernos-resenha-critica

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