Seis dias são passados.
Uma infinidade de tempo,
Ocupando a mente com a miríade de atividades relaxantes
De que nós podemos desfrutar
Quando esses dias oníricos chegarem.
Mas os dias chegam, lentamente primeiro
Deixando que a nossa modorra se espalhe
Afogando as nossas preocupações de trabalho.
Logo uma preguiça se instala, como uma síndrome virulenta
Invade todo o nosso ser, até mesmo as emoções.
E nós ficamos pasmados,
Amodorradamente desligados da realidade.
É como uma doença.
Mas, depois, o tempo, esse, corre ligeiro.
Quando damos por nós,
Já uma enormidade de horas se desfiaram, de dias,
E o fim do sonho já está aí…
Mas, agora, o corpo já não reage como outrora.
Agora, é preciso beliscar a preguiça,
É preciso rasgar o ar morno da sesta
Para avivar os sentidos e fazer uma reconfiguração do sistema.
Mas a resposta é lenta, dolente, enfastiada pelos dias mornos
Em que o ar quente sopra sobre os nossos corpos adormecidos
Nas águas de verão, enroladas em suspiros que se derretem na areia.
E os sonhos, esses esfumam-se em memórias,
Revividas, mês após mês, apenas aplacadas
Com um novo desejo
Adolescente
De voltar a dormir no som do mar.
José Romão
Dormente
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