O Mocho n.º 22 janeiro 2016 | страница 35

Seis dias são passados.

Uma infinidade de tempo,

Ocupando a mente com a miríade de atividades relaxantes

De que nós podemos desfrutar

Quando esses dias oníricos chegarem.

Mas os dias chegam, lentamente primeiro

Deixando que a nossa modorra se espalhe

Afogando as nossas preocupações de trabalho.

Logo uma preguiça se instala, como uma síndrome virulenta

Invade todo o nosso ser, até mesmo as emoções.

E nós ficamos pasmados,

Amodorradamente desligados da realidade.

É como uma doença.

Mas, depois, o tempo, esse, corre ligeiro.

Quando damos por nós,

Já uma enormidade de horas se desfiaram, de dias,

E o fim do sonho já está aí…

Mas, agora, o corpo já não reage como outrora.

Agora, é preciso beliscar a preguiça,

É preciso rasgar o ar morno da sesta

Para avivar os sentidos e fazer uma reconfiguração do sistema.

Mas a resposta é lenta, dolente, enfastiada pelos dias mornos

Em que o ar quente sopra sobre os nossos corpos adormecidos

Nas águas de verão, enroladas em suspiros que se derretem na areia.

E os sonhos, esses esfumam-se em memórias,

Revividas, mês após mês, apenas aplacadas

Com um novo desejo

Adolescente

De voltar a dormir no som do mar.

José Romão

Dormente

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