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CINE-CLUBE
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Être et Avoir
Nicolas Philibert, fiel à criação de documentários, dirige as suas câmaras da sua mais recente realização, Être et Avoir, para o coração de uma micro-sociedade com as sensações da criança: Mr. Lopez, professor de carreira, exerce numa das últimas escolas de classe única, que ainda existem em França. Esta encontra-se no coração da Auvergne e é composta por treze crianças, com idades entre os três a os onze anos: Jojo, Olivier, Marie, Alizé, Johan, Julien, etc ... Ao escolher este professor, exigente mas paternal, e os alunos atentos, por vezes impertinentes, sempre agradáveis, Nicolas Philibert foi capaz de detetar os ideais protagonistas perfeitamente representativos de um mundo idílico em que reina o respeito pelo outro, mas à volta do qual também plana a ameaça das dificuldades do mundo rural.
O filme mostra, na pessoa do professor, o Sr. Lopez, o rosto de um homem bom, generoso e extremamente profissional, que sabe adaptar-se a qualquer situação, e mantém o controlo da sua classe, sabendo rir saber ou dialogar com as crianças de idades diferentes. O realizador mostra como o professor consegue ao mesmo tempo enquadrar Jojo, o brincalhão da turma, e tranquilizar Olivier, cujo pai está doente. Este professor é dotado, as suas palavras estão adequadas a todas as circunstâncias e, muitas vezes, gratificantes para os alunos. O filme tenta seguir de forma geral, com a distância necessária, a encenação do professor dirigindo a sua pequena trupe de atores de uma forma única. O realizador incorpora uma única vez a figura característica de documentário: No decurso de uma única entrevista do filme, o Sr. Lopez explica diretamente ao realizador e ao espetador, que ele próprio é filho de trabalhadores agrícolas, viu seus pais livrarem-se de problemas inerentes à vida rural. É por isso que ele compreende tão bem a vida destas crianças, nem sempre evidente, a maioria filhos de agricultores.
Este documentário de caraterísticas por vezes ficcionais apresenta cenas de ternura incrível. A ingenuidade desconcertante das crianças faz sorrir e dar umas gargalhadas algumas vezes. Quando Jojo chamou ao seu dedo mindinho de "horizontal" em vez de "dedo mindinho", o charme funciona, e o espectador só pode quebrar perante a inocência da criança. Da mesma forma, quando Alizé, a mais pequena, disse com a voz perturbada, dando o testemunho para as câmaras, que o seu colega lhe tinha tirado a borracha. Detalhes que tornam a vida desta turma única, onde as crianças são estimuladas a crescer e passar vários anos de sua infância. Pequenos momentos que se juntam aos mais tristes, mostrando alunos em dificuldade: Nathalie pela sua timidez paralisante, e Olivier evocando a hospitalização de seu pai, etc.
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