O Mocho Ano 2 - Número 14 - fevereiro 2015 | Page 49

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O dia está cinzento mortiço

Triste mesmo

O microclima das Caldas

Marca a sua presença

Cobrindo tudo com uma cacimba

Uma chuvinha molha-tolos

Pois só eles se aventuram fora de telha

Os meus companheiros,

Aqueles que têm penas e asas

E que eu trouxe de fim de semana

Para não ficarem solitários

Em cima da mesa da Sala de Professores

Deserta esvaziada de bulício e movimento,

Soltam trinados na janela da cozinha

Olhando o dia triste

Através das grades tristes

É o primeiro dia do mês de março

Aquele que promete dias mais alegres

Dias que se tornarão mais quentes

Mais longos

E há no ar alguma alegria

Alguma esperança que a tristeza

Venha a transformar-se

Que os dias sejam mais alegres

E buliçosos com os gritos das crianças

Que venhamos a renascer das cinzas

Como a fénix mitológica

FÉNIX

Que sintamos novamente a seiva

O espírito moldador de sensibilidades

A alegria da transformação

Aquela sentida pelo oleiro

Quando dá vida ao húmido barro com as mãos

Será então uma primavera simbiótica

Um entrecruzar de emoções de esperança

José Crispim Romão