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O dia está cinzento mortiço
Triste mesmo
O microclima das Caldas
Marca a sua presença
Cobrindo tudo com uma cacimba
Uma chuvinha molha-tolos
Pois só eles se aventuram fora de telha
Os meus companheiros,
Aqueles que têm penas e asas
E que eu trouxe de fim de semana
Para não ficarem solitários
Em cima da mesa da Sala de Professores
Deserta esvaziada de bulício e movimento,
Soltam trinados na janela da cozinha
Olhando o dia triste
Através das grades tristes
É o primeiro dia do mês de março
Aquele que promete dias mais alegres
Dias que se tornarão mais quentes
Mais longos
E há no ar alguma alegria
Alguma esperança que a tristeza
Venha a transformar-se
Que os dias sejam mais alegres
E buliçosos com os gritos das crianças
Que venhamos a renascer das cinzas
Como a fénix mitológica
FÉNIX
Que sintamos novamente a seiva
O espírito moldador de sensibilidades
A alegria da transformação
Aquela sentida pelo oleiro
Quando dá vida ao húmido barro com as mãos
Será então uma primavera simbiótica
Um entrecruzar de emoções de esperança
José Crispim Romão