O mal denominado problema catalão: o choque de dois nacionalismos míopes
Joan Del Alcazar
O
complicado problema territorial é muito antigo na Espanha. O historiador Manuel Tuñón de Lara escreveu, há muitos anos, em um livro sobre a Segunda República Espanhola( 1931-1939) que, no seu advento, o novo regime sofreu quatro sérios problemas: o Exército( superdimensionado e reacionário), a propriedade da terra( dramaticamente mal distribuída no interior da Espanha), a Igreja Católica( ultramontana e com enorme influência ideológica e política) e os nacionalismos periféricos. Todos eles, exceto o último, o dos nacionalismos, principalmente no País Basco e na Catalunha, foram mais ou menos resolvidos após a recuperação da democracia na Espanha após a morte do ditador Franco em 1975 e, acima de tudo, após a aprovação da nova Constituição em 1978 e da tentativa de golpe militar de 1981.
Quatro décadas se passaram desde então e o problema não só continua existindo, como nos últimos meses tornou-se a principal crise de Estado dos últimos quarenta anos e, ao que tudo indica, parece longe de uma solução. Por muito tempo, esse problema foi se arrastando e mesmo hoje ainda não se vislumbra uma luz no final do túnel. Em 1978, no contexto do debate sobre a nova Carta Magna, os constituintes criaram o que chamaram de Estado das Autonomias, que se resume numa tentativa de diluir a singularidade basca e catalã em uma nova organização política e administrativa em tintas duvidosamente federalistas. Este novo Estado foi concebido – e descrito de uma forma castiça – como“ um café para todos”. Foi a fórmula encontrada para evitar a aceitação da singularidade basca e catalã e, ao mesmo tempo, afastar outras possíveis exigências da Galícia ou do País Valenciano, por exemplo. Para se adequar à autonomia de uma parte das regiões que o exigiram, sua concessão foi generalizada mesmo para aquelas que nunca a reivindicaram.
A partir dessa intenção se obteve um texto que foi envelhecendo pouco a pouco. Passaram-se 40 anos e aquele acordo está obsoleto para uma parte dos espanhóis( a maioria, é claro, na Catalunha e no País Basco, e em menor medida em outras regiões), enquanto que para outra boa parte, certamente maior( Espanha
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