O imprevisível 2018 PD49 | Página 154

Soren Kierkegaard
Dimas Macedo

Conhecido por levar uma vida solitária e isolada e por ser considerado um dos fundadores do existencialismo, Soren Kierkegaard é uma das grandes revelações culturais da humanidade.

Não é fácil, numa primeira leitura, compreender o significado da sua obra filosófica. Pensador essencialmente subjetivista, e teólogo, talvez, com pretensões a fundar uma Filosofia da Religião, este escritor dinamarquês continua provocando a argúcia de estudiosos da Teologia.
Filho de um próspero comerciante e de uma empregada doméstica, Kierkegaard nasceu na Dinamarca, em 1813, recebendo, desde cedo, educação luterana rigorosa, tendo as marcas da moral religiosa exercido influência profunda na sua formação.
Em 1830, ingressou no Curso de Teologia e Filosofia, da Universidade de Copenhague, o qual foi interrompido com a morte de seu pai, em 1838. Mas o certo é que, em 1841, concluiu o curso universitário com uma tese sobre a filosofia de Sócrates, intitulada – Sobre o Conceito de Ironia.
Para a maioria dos seus biógrafos, a interrupção dos seus estudos acadêmicos não está propriamente ligada à morte do seu pai, mas à necessidade de experimentar a vida desregrada, que foi encontrar nos cafés, teatros e na vida social de Copenhague, e que elegeu como destino das suas inquietações.
Em 1837, conheceu Regine Olsen, com quem viveu uma estranha relação sentimental. Logo após tê-la pedido em casamento, desistiu do enlace e mergulhou numa crise de arrependimento. Com o pretenso objetivo de salvar a reputação de Regine, fez com que parecesse à sociedade ter sido ela a romper o noivado. Fugiu, então, para a Alemanha, onde passou uma longa temporada.
No país alemão, foi aluno de Schelling e ali esboçou alguns dos seus textos mais importantes. Volta à Copenhague, em 1842, e, no ano seguinte, publica – A Alternativa, Temor e Tremor e A Repetição. Em 1844, saem Migalhas Filosóficas e O Conceito de
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