Nesse contexto, o socialismo é apresentado como tendo sido um projeto e um experimento“ ditado” ou“ imposto” pelos comunistas, presentemente identificados e caricaturados em termos propagandísticos pelo regime político da Coreia do Norte e a figura emblemática do seu“ enfant terrible” líder dinástico.
A esquerda, a seu tempo, busca encontrar uma nova identidade no século 21 mediante a recuperação dos valores da democracia, da justiça social, da paz entre os povos e do equilíbrio da natureza. Corre o risco, todavia, de deixar implícita aquela aceitação de que“ o capitalismo venceu”, abrindo mão de investigar esta época histórica como de transição a uma formação social superior à do capitalismo.
Ora, para tal investigação claro que não há como consultar qualquer“ receita de bolo” supostamente legada pelos pensadores clássicos do socialismo e do comunismo. Nem simplesmente esconjurar a experiência histórica do“ socialismo real” sem antes voltar aos seus fatores determinantes, aos condicionamentos históricos de seus acertos e erros, êxitos e derrotas, e suas contribuições positivas decisivas de que o mundo atual é herdeiro. Ela é parte integrante de uma época histórica em devir, um momento do processo histórico e não um marco do“ fim da história”.
O legado maior dos pensadores clássicos, subjacente às análises que fizeram nos seus particulares contextos de época, reside na sua orientação metodológica, no seu método. Isto, a começar pelo próprio conceito de época histórica em que demarcam no tempo a dinâmica evolutiva da sociedade. Assim sendo, se há uma escolha a fazer, definidora do campo da esquerda, tal consiste justamente na tomada de posição pelo método da praxis, ou da“ filosofia da praxis”.
No mais, e conforme a lição dada pelos seus grandes pensadores, precisa a esquerda apoiar-se em todo o atual estado da arte do conhecimento social, em diálogo fértil com a diversidade das tendências políticas e de pensamento comprometidas com a democracia e com o desenvolvimento do ser humano no rumo de sua emancipação do reino da necessidade e entrada no reino da liberdade. Só desse modo a esquerda poderá iluminar o caminho dos agentes de uma vontade coletiva transformadora.
Aliás, o reconhecimento da atuação dos agentes daquela vontade coletiva vem a ser parte essencial do próprio método. Nada mais estranho àqueles clássicos conceber as contradições
A época histórica. Fim da história?
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