O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 57

“ASSINA AÍ, DILMA!” (17 de março de 2016) P or mais que a presidente Dilma Rousseff tente manter a liturgia do cargo, seu governo acabou. Começa agora, com mão de gato, o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode ser brevíssimo ou viabilizar a sua volta efetiva à Presidência nas eleições de 2018, dependendo do seu desempenho como uma espécie de primeiro-ministro encabulado. Chefe da Casa Civil, Lula mandará no Diário Oficial da União, ou seja, na publicação de todos os atos do governo, desde as nomea- ções para cargos comissionados aos empenhos de verbas e assina- tura de contratos de obras e de serviços. O resto são os detalhes da operação política. A ida do ex-governador Jaques Wagner para a chefia de gabi- nete de Dilma completa a transferência de poder. Hábil negocia- dor, administrará possíveis conflitos entre os dois, que não serão pequenos em razão da situação da economia e do caráter implosivo da Operação Lava-Jato. Dilma procura se eximir de qualquer responsabilidade sobre os fatos investigados, o que resulta sempre em ampliar a responsabilidade de Lula pela existência do esquema, embora o ex-presidente diga sempre que não sabia de nada. Diante da situação dramática em que se encontra a presidente da República, a entrada de Lula no governo foi uma cartada que vai além da simples chicana jurídica, como afirma a oposição. Um dos objetivos da entrada do petista no governo era sair da alçada do juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba; com o direito a foro especial, Lula será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Mal havia sido anun- ciado ministro, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, 53