O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 53
Mídia estrangeira
O discurso está previsto para as 9h40 de hoje, numa reunião
cuja pauta é a assinatura do acordo sobre o clima. Dilma pretende
convencer os líderes mundiais a não reconhecerem o seu afasta-
mento do cargo pelo Congresso, uma vez que é líquida e certa a
aprovação da admissibilidade do pedido de impeachment pelo
Senado e a formação de um governo provisório encabeçado pelo
vice-presidente Michel Temer. Dilma sustenta que o Congresso não
tem legitimidade para afastá-la e que aproveitará os holofotes do
acordo para conceder duas entrevistas coletivas a jornalistas estran-
geiros. A narrativa do golpe de Estado subirá mais alguns degraus.
Mas desabará no espaço vazio: as chancelarias não formam
juízo sobre a situação de um país a partir apenas de três minutos
de intervenção na ONU, têm seus embaixadores e analistas.
E sabem que o “Brasil não é para principiantes”, como dizia o
compositor Antônio Carlos Jobim, ao explicar aos estrangeiros o
comportamento singular dos brasileiros e a complexidade da nossa
vida nacional. Profissional da política, ao contrário de Dilma, o
presidente em exercício do Brasil, Michel Temer (PMDB-SP), em
entrevista à agência de notícias Dow Jones, rebateu por antecipa-
ção as acusações. Disse que os procedimentos do impeachment estão
em linha com a Constituição do Brasil e que falar sobre golpe de
Estado prejudica a imagem do país no exterior. “Vou retornar ao meu
posto assim que ela voltar”, disse. “Cada passo do impeachment está
de acordo com a Constituição”, acrescentou. “Como isso poderia
ser chamado de golpe?” Aproveitou para anunciar que está prepa-
rando um plano econômico para enfrentar a crise, que será anun-
ciado caso Dilma seja afastada pelo Senado.
Desmanche do governo
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