O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 51
resultará no afastamento da presidente Dilma Rousseff por 180
dias, para decidir o destino de Lula.
Enquanto Dilma viaja, o governo se desmancha. Os minis-
tros Eduardo Braga (Minas e Energia) e Hélder Barbalho (Portos)
entregaram os cargos ontem, apesar dos apelos da presidente. Com
estes, são nove ministérios sem titular: Aviação Civil, Casa Civil,
Cidades, Ciência e Tecnologia, Esporte, Integração Nacional e
Turismo. Para complicar a situação, o ministro da Fazenda, Nelson
Barbosa, perdeu completamente o controle sobre a situação fiscal,
descumprindo a meta de superávit fiscal de 0,5% do PIB. Se o
Congresso não autorizar um déficit primário de 1,55% do PIB,
equivalente a R$ 96 bilhões, o governo não poderá pagar fornece-
dores e funcionários, ou seja, depois de quebrar o país, Dilma
levou seu governo à falência.
A CRISE NÃO É PARA AMADORES
(22 de abril de 2016)
A boutade “O Brasil não é um país sério” (em francês, “Le
Brésil n’est pas un pays serieux”) quase sempre é atribuída ao
ex-presidente francês Charles De Gaulle. Na verdade, a frase é de
autoria do diplomata brasileiro Carlos Alves de Souza Filho, embai-
xador do Brasil na França entre 1956 e 1964. Ficou famosa em 1962,
quando ocorreu um incidente diplomático provocado pela presença
de barcos de pesca franceses nas águas territoriais brasileiras.
O presidente João Goulart convocou o Conselho de Segurança
Nacional e despachou a esquadra fundeada na baía de Guanabara,
apoiada pela Força Aérea Brasileira, para expulsar os “invasores”.
O episódio virou piada na imprensa francesa, que promoveu
uma polêmica hilária: a lagosta anda ou nada? Caso nadasse, esta-
ria em águas internacionais; se andasse, em território brasileiro.
A tese da diplomacia francesa era de que a lagosta nadava. À época,
não havia ainda o mar de 200 milhas náuticas (considerava-se
como território brasileiro a plataforma submarina), razão pela
Desmanche do governo
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