O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | страница 44
Aragão se licenciou do posto de subprocurador-geral da República
para assumir o cargo no governo. O governo vai recorrer ao Tribu-
nal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede em Brasília.
DILMA FORA DA CASINHA
(14 de abril de 2016)
Com todo respeito, a presidente Dilma Rousseff está fora da
casinha, como diria Maria Clara, a filha de um amigo meu. Sua
entrevista ontem, às vésperas da votação do pedido de impeach-
ment, foi um desastre para os que ainda tentam reverter a oposi-
ção nas ruas e articular uma base com mais de 172 deputados para
resistir ao afastamento. Que falta faz o marqueteiro João Santana,
que continua preso em Curitiba; era ele quem tirava Dilma das
cordas, nos momentos de crise.
Desta vez, as declarações de Dilma não ocorreram num ato
do tipo “nós com nós” que sua assessoria organiza quase todos os
dias no Palácio do Planalto. Dilma conversou, no Palácio do
Planalto, com jornalistas do primeiro time de Brasília. E voltou a
denunciar os golpistas: “Não importa se é um pedreiro, enge-
nheiro, professor ou empresário. É golpista”, disparou. Depois,
porém, propôs um amplo pacto se o impeachment não for apro-
vado pelo Congresso. Pacto com quem, cara-pálida? – indagaria o
índio Tonto, o amigo do Zorro.
Dilma explica: “A crise no país é tão grave que não há solu-
ção que não seja por meio de um pacto”. Segundo ela, o acordo que
pretende propor deve envolver todos os setores da sociedade –
governo, oposição, empresários e trabalhadores. “Sem vencidos
nem vencedores”, disse. Ou seja, ela quer fazer um acordo com os
“golpistas”. Só que agora é tarde, a base na Câmara foi volatilizada
pelo conjunto da obra e pelo desprezo com que sempre tratou os
políticos de sua própria base.
Dilma ignora o sentimento das ruas e a ampla coalizão pró-
-impeachment que se formou na Câmara, com PMDB, PSDB, PP,
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O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada