O impeachment de Dilma Rousseff IMPEACHMENT_AZEDO | Page 20
mentos de libertação nacional e o movimento operário e sindical.
A guerra fria era a baliza para a atuação dos comunistas, dentro de
uma concepção de luta de classes na qual o anti-imperialismo era
a chave da revolução mundial. Desse ponto de vista, o equilíbrio
estratégico militar entre a União Soviética e os Estados Unidos era
a premissa das mudanças em cada país da periferia (China, Cuba,
Vietnã, Irã, colônias portuguesas, ditaduras de um modo geral),
mas nunca na Europa Ocidental (Grécia, Itália e Portugal).
Segundo, uma visão nacional-desenvolvimentista de caráter
fortemente positivista, na qual a luta em defesa dos interesses nacio-
nais estava acima da defesa da democracia, vista como um instru-
mento para a combinação do trabalho legal contra a ditadura, a
defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas, e o
trabalho ilegal, a organização do partido, e não como um valor
universal. A inversão do par dialético, para subordinar o nacional ao
democrático, somente veio a ocorrer em 1983, após o VII Congresso
do PCB, assim mesmo com uma visão muito economicista. Nela, o
papel do Estado passou a ser absolutizado em relação às tarefas de
caráter econômico e social, no melhor estilo bolchevique. É quando
a ideia de que o capitalismo de Estado seria a chave para a revolução
brasileira ganhou força. Essa visão, protagonizada por soviéticos,
alemães orientais e franceses, passou a influenciar direta ou indire-
tamente outros setores da esquerda brasileira. Segundo Afanasyev,
que oficializou a doutrina no PCUS, o capitalismo monopolista de
Estado é a “fusão do Estado burguês com o poder dos monopólios”.
Ora, se o capitalismo de Estado é a antessala do socialismo, como
dizia Lênin, basta tomar o poder e preservá-lo para criar as condi-
ções objetivas para a revolução socialista.
Além disso, as ideias de que a luta de classes é o motor da
História, ou seja, a parteira das mudanças, e de que o partido
operário é a parte consciente do proletariado e a vanguarda da
revolução social, completam o esquema de análise. Por isso, diante
da crise atual, não importa que o transformismo petista e o volun-
tarismo decorrente das ideias acima tenham desaguado na crise
que estamos vivendo. O fundamental é a esquerda no poder
permanecer encastelada no Estado brasileiro, custe o que custar.
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O impeachment de Dilma Rousseff – Crônicas de uma queda anunciada