O Grande Conflito por Ellen G. White 1 | Page 419

zombadores coroá-Lo rei . Estão ali os mesmos homens que com mãos ímpias Lhe colocaram sobre o corpo o manto de púrpura , e sobre a fronte sagrada a coroa de espinhos , e na mão , que não opunha resistência , um simulacro de cetro , e diante dEle se curvavam em zombaria blasfema . Os homens que bateram e cuspiram no Príncipe da vida , agora se desviam de Seu penetrante olhar , procurando fugir da subjugante glória de Sua presença . Aqueles que introduziram os cravos através de Suas mãos e pés , o soldado que Lhe feriu o lado , contemplam esses sinais com terror e remorso .
Com terrível precisão sacerdotes e príncipes recordam-se dos acontecimentos do Calvário . Estremecendo de horror , lembram-se de como , movendo a cabeça em satânica alegria , exclamaram : “ Salvou os outros e a Si mesmo não pode salvar-Se . Se é o Rei de Israel , desça agora da cruz , e creremos nEle ; confiou em Deus ; livre-O agora , se O ama .” Mateus 27:42 , 43 . Vividamente relembram a parábola dos lavradores que se recusaram a entregar a seu senhor o fruto da vinha , maltrataram seus servos , e lhe mataram o filho . Lembram-se também da sentença que eles próprios pronunciaram : O senhor da vinha “ dará afrontosa morte aos maus .” No pecado e castigo daqueles homens infiéis , vêem os sacerdotes e anciãos seu próprio procedimento e sua própria justa condenação . E , agora , ergue-se um clamor de agonia mortal . Mais alto do que o grito - “ Crucifica-O , crucifica-O ”, que repercutiu pelas ruas de Jerusalém , reboa o pranto terrível , desesperado : “ Ele é o Filho de Deus ! Ele é o verdadeiro Messias !” Procuram fugir da presença do Rei dos reis . Nas profundas cavernas da Terra , fendida pela luta dos elementos , tentam em vão esconder-se .
Na vida de todos os que rejeitam a verdade , há momentos em que a consciência desperta , em que a memória apresenta a recordação torturante de uma vida de hipocrisia , e a alma é acossada de vãos pesares . Mas que é isto ao ser comparado com o remorso daquele dia em que o temor vem como assolação , em que a perdição vem como tormenta ! Provérbios 1:27 . Os que desejariam destruir a Cristo e Seu povo fiel , testemunham agora a glória que sobre eles repousa . No meio de seu terror , ouvem a voz dos santos em alegres acordes , exclamando : “ Eis que este é o nosso Deus , a quem aguardávamos , e Ele nos salvará .” Isaías 25:9 .
Por entre as vacilações da Terra , o clarão do relâmpago e o ribombo do trovão , a voz do Filho de Deus chama os santos que dormem . Ele olha para a sepultura dos justos e , levantando as mãos para o céu , brada : “ Despertai , despertai , despertai , vós que dormis no pó , e surgi !” Por todo o comprimento e largura da Terra , os mortos ouvirão aquela voz , e os que ouvirem viverão . E a Terra inteira ressoará com o passar do exército extraordinariamente grande de toda nação , tribo , língua e povo . Do cárcere da morte vêm eles , revestidos de glória imortal , clamando : “ Onde está , ó morte , o teu aguilhão ? Onde está , ó inferno , a tua vitória ?” 1 Coríntios 15:55 . E os vivos justos e os santos ressuscitados unem as vozes em prolongada e jubilosa aclamação de vitória .
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