O Grande Conflito por Ellen G. White 1 | Page 414

Capitulo 40 - O Livramento Divino
Quando a proteção das leis humanas for retirada dos que honram a lei de Deus , haverá , nos diferentes países , um movimento simultâneo com o fim de destruí-los . Aproximando-se o tempo indicado no decreto , o povo conspirará para desarraigar a odiada seita . Resolverse-á dar em uma noite um golpe decisivo , que faça silenciar por completo a voz de dissentimento e reprovação . O povo de Deus -alguns nas celas das prisões , outros escondidos nos retiros solitários das florestas e montanhas pleiteia ainda a proteção divina , enquanto por toda parte grupos de homens armados , instigados pelas hostes de anjos maus , se estão preparando para a obra de morte . É então , na hora de maior aperto , que o Deus de Israel intervirá para o livramento de Seus escolhidos . Diz o Senhor : “ Um cântico haverá entre vós , como na noite em que se celebra uma festa ; e alegria de coração , como daquele que sai tocando pífano , para vir ao monte do Senhor , à Rocha de Israel . E o Senhor fará ouvir a glória da Sua voz , e fará ver o abaixamento do Seu braço , com indignação de ira , e a labareda do Seu fogo consumidor , e raios e dilúvio e pedras de saraiva .” Isaías 30:29 , 30 .
Com brados de triunfo , zombaria e imprecação , multidões de homens maus estão prestes a cair sobre a presa , quando , eis , um denso negror , mais intenso do que as trevas da noite , cai sobre a Terra . Então o arco-íris , resplandecendo com a glória do trono de Deus , atravessa os céus , e parece cercar cada um dos grupos em oração . As multidões iradas subitamente se detêm . Silenciam seus gritos de zombaria . É esquecido o objeto de sua ira sanguinária . Com terríveis pressentimentos contemplam o símbolo da aliança de Deus , anelando pôr-se ao amparo de seu fulgor insuperável .
É ouvida pelo povo de Deus uma voz clara e melodiosa , dizendo : “ Olhai para cima ”; e , levantando os olhos para o céu , contemplam o arco da promessa . As nuvens negras , ameaçadoras , que cobriam o firmamento se fendem e , como Estêvão , olham fixamente para o céu , e vêem a glória de Deus , e o Filho do homem sentado sobre o Seu trono . Divisam em Sua forma divina os sinais de Sua humilhação ; e de Seus lábios ouvem o pedido , apresentado ante Seu Pai e os santos anjos : “ Aqueles que Me deste quero que , onde Eu estiver , também eles estejam comigo .” João 17:24 . Novamente se ouve uma voz , melodiosa e triunfante , dizendo : “ Eles vêm ! eles vêm ! santos , inocentes e incontaminados . Guardaram a palavra da Minha paciência ; andarão entre os anjos ”; e os pálidos , trêmulos lábios dos que mantiveram firme a fé , proferem um brado de vitória .
É à meia-noite que Deus manifesta o Seu poder para o livramento de Seu povo . O Sol aparece resplandecendo em sua força . Sinais e maravilhas se seguem em rápida sucessão . Os ímpios contemplam a cena com terror e espanto , enquanto os justos vêem com solene alegria os sinais de seu livramento . Tudo na Natureza parece desviado de seu curso . As correntes de água deixam de fluir . Nuvens negras e pesadas sobem e chocam-se umas nas outras . Em meio dos
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