Capítulo 50 — Por entre Laços Este capítulo é baseado em João 7:16-36 ; 8:1-11 .
Todo o tempo que Jesus passou em Jerusalém , foi vigiado de perto por espias . Dia a dia eram tentados novos ardis para reduzi-Lo ao silêncio . Os sacerdotes e principais estavam à espreita para O enlaçar . Faziam planos para detê-Lo por violência . Mas isto não era tudo . Queriam humilhar diante do povo esse Rabi galileu . No primeiro dia de Seu aparecimento na festa , haviam-se dirigido a Ele , perguntando com que autoridade ensinava . Queriam desviar a atenção que convergia para Ele , para a questão do direito que tinha de ensinar e , assim , para a importância e autoridade deles próprios . “ A Minha doutrina não é Minha ”, disse Jesus , “ mas dAquele que Me enviou . Se alguém quiser fazer a vontade dEle , pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus , ou se Eu falo de Mim mesmo ”. João 7:16 , 17 .
Jesus enfrentava a esses fingidos , não respondendo ao seu ardil , mas revelando a verdade vital à salvação da alma . A percepção e apreço da verdade , disse Ele , depende menos da mente , que do coração . A verdade deve ser recebida na alma ; exige a homenagem da vontade . Se a verdade pudesse ser submetida unicamente à razão , o orgulho não serviria de obstáculo à recepção da mesma . Mas deve ser recebida mediante o operar da graça no coração ; e sua recepção depende da renúncia de todo pecado que o Espírito de Deus revela . As vantagens do homem para obter o conhecimento da verdade , por grandes que sejam , não lhe aproveitarão coisa alguma , a menos que o coração esteja aberto para receber a mesma verdade , e haja conscienciosa renúncia de todo hábito e prática opostos a seus princípios . Aos que assim se entregam a Deus , tendo sincero desejo de conhecer e fazer- Lhe a vontade , a verdade se revela como o poder divino para a salvação .
Esses serão capazes de distinguir entre o que fala por Deus , e o que fala de si mesmo . Os fariseus não puseram sua vontade ao lado da vontade divina . Não buscavam conhecer a verdade , mas procuravam uma desculpa para a ela se 394 esquivar ; Cristo mostrou que era por isso que não Lhe entendiam os ensinos . Deu então uma prova pela qual o verdadeiro mestre devia ser distinguido do enganador : “ Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória , mas o que busca a glória dAquele que o enviou , esse é verdadeiro , e não há nele injustiça ”. João 7:18 . O que busca a sua própria glória está falando apenas de si mesmo . O espírito de interesse egoísta trai sua origem . Mas Cristo buscava a glória de Deus . Falava as palavras de Deus . Tal era o testemunho de Sua autoridade como mestre da verdade eterna . Cristo deu aos rabis uma prova de Sua divindade , mostrando que lia o coração deles . Sempre , desde a cura de Betesda , vinham tramando Sua morte . Estavam assim quebrantando a lei que professavam defender . “ Não vos deu Moisés a lei ?” disse Ele , “ e nenhum de vós observa a lei . Por que procurais matar-Me ?” João 7:19 . Como relâmpago , essas palavras revelaram aos rabis o abismo de ruína em que estavam a ponto de imergir .
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