Ano XV | Edição 35 | 53
O CAVALEIRO DE SÃO JOÃO
Meu pai, amigo e também nosso Ir.’.
era um otimista incorrigível. Viveu 84 anos.
Não me lembro de tê-lo visto alguma vez
de mau humor. Transmitia felicidade e isso
apesar dos muitos anos vividos.
Não tinha religião, mas sim religiosida-
de. Creio que, mesmo sem o saber, seguia a
filosofia estoica: a de suportar as in evitáveis
adversidades que se sucedem e delas se apro-
veitava para transformá-las em sabedoria,
pois intuía que, já que vivemos uma só vida,
deveríamos bem vivê-la. Carpe diem.
Não posso dizer se ele seria um homem
totalmente formado pela cultura do século
passado. Aquele das grandes transformações
sócio-políticas, econômicas e tecnológicas,
mas certamente percebera que, apesar de
tudo, o ser humano evoluiu para melhor.
Esse démodé ‘nariz de cera’ do jargão
jornalístico com que inicio esta crônica é
para confessar que ele não somente foi um
exemplo para mim, mas também uma pes-
soa em quem ainda me espelho.
Mas o que tudo isso tem a ver com O
Cavaleiro de São João? É que a inspiração
desta crônica veio de suas páginas, das pe-
ças de arquitetura de ilustres IIr.’. e das fotos
dos eventos, que revelam, ictu oculi, a evolu-
ção da Maçonaria, não somente pela quan-
tidade das LLoj.’. e dos obreiros do Paraná,
mas, sobretudo, pela qualidade dos homens
que delas fazem parte.
E o que me levou a tal conclusão, não é
tanto a internet, nem a televisão, nem muito
menos os jornais profanos, mas, sobretudo,
a imprensa maçônica, tão bem representada
(e sem favor algum), pelo O Cavaleiro de São
João, cujo editor, o querido e abnegado Ir.’.
Deolindo Dorta de Oliveira, apesar de todas
as inúmeras dificuldades (os editores sabem
disso), soube e sabe levar a bom termo a di-
vulgação de nossos ideais maçônicos.
Pois o bom editor, com todo respeito, é
aquele Ir.’. que procura mesclar as impor-
tantes efemérides maçônicas com os pontos
de vista dos IIr.’. sobre os mais vários assun-
tos que se referem à Arte Real.
Sobre Maçonaria mesmo, seus verda-
deiros objetivos, práticos e/ou teóricos; sua
própria filosofia; a do ser humano em ge-
ral – até mesmo sobre poesia – e não sobre
aqueles temas que resvalam para o misti-
cismo vulgar ou então os de auto-ajuda,
como se a nossa instituição fosse um imen-
so divã psicanalítico para levar felicidade
aos obreiros.
Fico otimista com a evolução da Arte
Real através da edição de um jornal como
O Cavaleiro de São João, o que me leva a
crer no progresso de nosso mundo e da
humanidade.
Como meu pai, amigo e Ir.’. Jorge, se
estivesse vivo, também acreditaria.
*M.’. Inst.’. da A.’. e R.’. L.’. S.’. Cari-
dade Universal III, do Or.’. de Araraqua-
ra, SP. 33.’.. Fundador e editor do jornal
O Companheiro. Membro da Academia
Brasileira Maçônica de Artes, Ciências e
Letras (São Paulo).
(janeiro de 2012)
Luís Carlos Bedran*