O Cavaleiro de São João O Cavaleiro 35 | Seite 48

Ano XII | Edição 32 | 48 Destaque Poético HUMILDADE Senhor, fazei com que eu aceite minha pobreza tal como sempre foi.  Que não sinta o que não tenho.  Não lamente o que podia ter e se perdeu por caminhos errados  e nunca mais voltou.  Dai, Senhor, que minha humildade  seja como a chuva desejada caindo mansa,  longa noite escura  numa terra sedenta  e num telhado velho.  Que eu possa agradecer a Vós, minha cama estreita,  minhas coisinhas pobres, minha casa de chão, pedras e tábuas remontadas.  E ter sempre um feixe de lenha debaixo do meu fogão de taipa, e acender, eu mesma,  o fogo alegre da minha casa na manhã de um novo dia que começa. Cora Coralina SONHO II Confesso a existência de uma apatia real e tão verdadeira como o eco de minha alma sem a necessária visão que já não existe Vivi a vida sem tanto interesse por viver Sem alternativas Apenas descaminho no meu caminho milhões de vezes eu gritei nunca meu ouviram Nem eu mesmo ouvi minha voz A realidade foi palpável demais suas garras marcaram profundamente os longos anos da existência Olhei o amanhã através do sonho dourado da adolescência nitidamente enxerguei figuras incoerentes tão frágeis que nunca passaram de sonhos Andei sem encontrar por trilhas que jamais aconteceram não consegui ver a tênue luz do sol para clarear a escuridão que foi a vida Confesso a deslealdade para com o sonho e a inspiração fútil para com o pesadelo Que vou morrer sem nunca ter vivido. Deolindo Dorta de Oliveira CLASSIFICADO O BOM POETA Precisa-se de: Um coração sensível que ame, Mãos que exerçam a suavidade do Toque, Olhos que irradiem a ternura do Encontro, Um corpo receptivo que tenha Calor, Uma boca que cante e segrede o Amor. Para juntos, Construirmos uma relação De ajuda mútua, Que nos possibilite Uma Vivência infinda... O bom poeta gosta de mediar A luta entre a pena e a espada Não cala nem procura se emendar Se exagera ao contar sua toada Deolindo Dorta de Oliveira Fábio Malko O bom poeta conhece os anseios mais quentes E a natureza humana vive a espreitar Entre suas paixões e desejos ardentes Sua mente afiada cria vida ao recitar Esse poeta que endurece no sofrimento Sabe rir, entre a lágrima e o lamento E derrama no papel sua tristeza Ele goza, esse poeta, de merecimento Se seus versos envolvem por um momento Revelando a todos sua destreza