O Cavaleiro de São João O Cavaleiro 34 | Page 54

Ano XIV | Edição 34 | 54 O SALMO 133 O amor fraterno é dom de Deus, como o orvalho que impregna. “É a graça de Deus que faz habitar unidos os irmãos”. (Santo Agostinho) Significado – Dentre os livros do Anti- go Testamento, o livro dos Salmos contri- bui para a edificação pessoal, como base da devoção familiar, como o livro de consola- ção e oração, como guia nos ajuda a sub- meter-nos à vontade de Deus nas horas de alegria e de tristeza. Qualquer que seja sua situação, cada qual encontra nesse livro Salmos e palavras que se aplicam à sua situação e lhe são apropriadas como se fossem escritas somente para ele. Os Salmos são uma coleção de cento e cinquenta poemas de louvor, reunidos num só livro, para serem cantados durante as so- lenes cerimônias do Templo de Jerusalém, com acompanhamento de instrumentos de corda, sopro e percussão. Eles refletem a sabedoria judaica, a piedade e as crenças populares do povo de Israel. Mais tarde descobriu-se que, mesmo sendo poeta, escritor, músico, cantor e orga- nizador do culto divino, Davi compôs não mais do que trinta Salmos. Os outros foram sendo compostos desde a construção do Templo, mil anos antes de Cristo, até 350 anos antes de Cristo. A maioria dos Salmos dirige-se a Deus, sendo, portanto, uma ver- dadeira oração. O Livro dos Salmos descreve, como lou- vor, a criação e demais acontecimentos his- tóricos, iniciando com a criação e concluin- do com o cativeiro. Outros são meditações, reflexões sobre a vida, exortações dirigidas ao povo, às pessoas e às outras criaturas. São os mais diversos pensamentos humanos can- tados nas mais diferentes situações: Lamen- tações, tristeza, dor, penitência, confiança, esperança, agradecimento, louvores, alegria, exultação, advertências, fé e adoração. O Salmo 133, por exemplo, nos ensina a entrar em profunda comunhão de amor e paz. Na abertura dos Trabalhos do Grau I – Aprendiz Maçom no R.E.A.A., é lido por ocasião da abertura do Livro Sagrado, é o Sal- mo 133, que exalta a união entre os Irmãos. O Oficiante ajoelha-se, abre o Livro Sagrado e lhe faz a leitura, emprestando à sua voz todo sentimento, respeito e veneração. Hinos e cânticos espirituais são usados na Liturgia, alguns até muito antigos e ve- nerandos como o “Glória”, mas nenhum se compara aos Salmos bíblicos, que nos ajudará a entrar no clima de recolhimento, necessário para uma boa oração e até mesmo a nos preparar para fazer uma leitura bíbli- ca, de onde desejamos extrair a Palavra de Deus para que ilumine nossa vida. Por isso, o estilo musical dos Salmos é diferente, mais sereno, mais meditativo, mais recitativo. Curiosidades - Eis algumas curiosidades a respeito dos Salmos:-O estilo poético dos judeus é bem diferente do nosso. Nós costu- mamos fazer rimas alternadas em cada ver- so, metrificamos as frases, colocamos o ver- bo no fim e cadenciamos os acentos tônicos. Tudo isso dá um efeito poético. A poesia dos Salmos está em repetir a mesma coisa com palavras diferentes, como, por exemplo: “Tua Palavra é luz para os meus passos, é uma lâmpada brilhante em meu caminho”. – O menor Salmo é o 117, com dois versículos apenas. O maior é o 119 com 176 versículos. O Salmo 133 – “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali ordena o SENHOR a sua bênção, e a vida para sempre”. As comparações devem ser entendidas desde a perspectiva do gosto oriental. O óleo, agradavelmente perfuma- do, que vai pingando devagar da cabeça para a barba, era considerado não somente pelos israelitas, mas também pelos egípcios e gre- gos da antiguidade como algo belo e delica- do. Igualmente a barba longa e ondulada era para os orientais (e continua até hoje) sinal de beleza e dignidade viris. O poema entra no nó da questão e busca suscitar atenção e participação como a viva- cidade da exclamação com que frisa o fato de irmãos porque o Mestre é um só, e todos somos irmãos e, era habitarem juntos exem- plo mais belo e agradável. Composição do Salmo 133 – Para com- preender o real significado do Salmo, devem- -se conhecer os elementos que o compõe: Davi – tem-se o Rei Davi como autor do Salmo 133. O Rei (viveu provavelmente entre 1015 a 975 a.C) era tido como o grande cantor dos cânticos de Israel e autor de vários Salmos. Óleo – o óleo era utilizado na cerimônia de unção dos Reis e Sumos Sacerdotes. Esses eram ungidos com um óleo especial, o qual era derramado sobre suas cabeças, e dessa forma, eram considerados ”purificados” e “sagrados” para exercer suas funções. Hermon– montanha considerada sagra- da pelos judeus e chamada pelos árabes de “montanha nevada”. Localizada ao norte de Israel, marca a divisão geográfica entre Is- rael, Líbano e Síria. Pela sua altitude(mais de 2.800 metros),seu cume está sempre co- berto de neve, o que gera um orvalho que li- teralmente “rega” toda a região ao seu redor, sendo por isso a região mais fértil de Israel. Monte de Sião – ao contrário do que alguns possam pensar Sião não é Hermon. Ambos os pontos são extremidades de Isra