O Cavaleiro de São João O Cavaleiro 34 | Page 51

Ano XIV | Edição 34 | 51

A virtude da fraternidade

Não há outro meio mais apropriado de se reconhecer o ser humano, senão através da fraternidade, que é a virtude que mais pode aproximar os homens de um modo mais afetivo.
Porém, ser fraterno com os outros não infere quaisquer interesses ou retribuição. É fazer o bem por prazer, cumprindo um dos enunciados cristãos:“ Fazer o bem e não olhar a quem”. Na fraternidade estão inseridos os mais verdadeiros princípios da beneficência e da caridade, que são outras virtudes que não podem estar divorciadas uma da outra. Ser beneficente, é ser caridoso, é seguir os exemplos que nos foram legados pelo Filho de DEUS que, por amor de nós, morreu crucificado numa cruz. Seus martírio, seu sofrimento e sua morte aconteceram para a nossa redenção.
A fraternidade representa o espírito altruístico da amizade, da união e da convivência harmoniosa, que não deixa nenhuma aresta de orgulho e de vaidade. Em quase todos os graus maçônicos encontramos exemplos e ensinamentos que nos levam a pratica da caridade, revestida da fraternidade na mais ampla acepção da palavra. Ensina-nos a ser virtuosos e mostra-nos os verdadeiros caminhos do amor e da humildade para com todos, indistintamente.
Isto é o que nos prega a doutrina maçônica. É um dever de consciência e de solidariedade. Um espírito de verdadeiros Irmãos, onde a igualdade sempre deve predominar. Quantas vezes este é o bálsamo sagrado para com aqueles que sofrem por todos os meios, de uma desventura.
Há de se ter sempre, na mente e no coração, as virtudes que se fundamental na prática do“ bem servir”, do“ amor ao próximo”, na solidariedade e na disponibilidade.
Hoje, neste mundo selvagem, onde a materialidade é predominante, onde as conturbações de uma vida moderna vão tornando difícil, até mesmo para nós maçons, seguir estes conceitos. Vivemos num mundo onde prevalece uma inversão de valores. Um mundo de apego ao materialismo que se apresenta como norma de vida e, quantas vezes, neutralizando os princípios doutrinários e filosóficos de nossa Ordem.
Os meios de comunicação, os avanços tecnológicos e científicos, nem sempre estão direcionados ao bem da humanidade. Os homens estão se afastando uns dos outros, estão perdendo o temor a DEUS, estão absorvidos pela técnica que, embora seja uma necessidade, nem sempre fortalece o espírito de fraternidade. Sinal dos tempos, talvez.
Mas, como homens livres e de bons costumes, devemos trazer no coração a chama ardente da Estrela Flamejante e a Luz recebida em nossa Iniciação. São brilhos e luz que não podem ser arrefecidos. Que devem nos acompanhar em cada passo dado em direção ao caminho do bem, da paz, da harmonia e da união. São os caminhos das virtudes e os caminhos da fraternidade que só trazem felicidade.
Quando nos deixamos levar pelos vícios e pelas fraquezas, somos acometidos do orgulho e das vaidades. Deixamos de ser fraternos e nos afastamos de nossos Irmãos,
“ Jamais se desespere em meio as mais sombrias aflições da vida, pois da nuvem mais negra caí água límpida e fecunda”
( Provérbio Oriental)
dos infelicitados pela sorte, dos excluídos de uma sociedade hipócrita e dos necessitados de nossa ajuda mais direta.
O mundo, aos poucos, nos vai levando ao distanciamento da união e da fraternidade. Obriga-nos a viver no egocentrismo tão maléfico para nós, para a família e para a sociedade.
A Maçonaria, nos seus conceitos e princípios, é uma vastidão de ensinamentos que podem nos ajudar para que tenhamos, dentro de nós, o espírito de fraternidade. Não uma fraternidade de superficialidade, mas que seja uma fraternidade na sua mais completa abrangência.
A trilogia Maçônica não teria suas bases tão alicerçadas se faltasse a fraternidade. Perderia a razão de ser o tripé que sustenta a essência de sua doutrina.
Ser fraterno não é uma questão de escolha. É muito mais. É algo que deve estar arraigado dentro de nosso ser, dentro de nossa mente, dentro de nosso coração. É desbastar as arestas do egoísmo. É lapidar os sentimentos mais puros da união, da igualdade e da beneficência, para que esta“ Pedra Polida” possa ser empregada no alicerce do“ EDIFÍCIO SOCIAL”.
Que o Grande Arquiteto do Universo envie sobre nós, suas bênçãos para que seja fortalecido, dentro de cada um, o verdadeiro espírito da Fraternidade. A Maçonaria espera que ASSIM SEJA!
Ir.’. José Vicente DANIEL( Or.’. de Pequeri – MG)