Nova Poesia 61 NOVA POESIA 61 | Page 22

ATRAVÉS DE UM POEMA (Rafaela P. Campos De Santana ) I Vejo-me diante da minha própria sombra Segredos, anseios Tormentos, devaneios A fantasia de um amor, que nunca soube amar Então me escondo, mesmo envolvida nas grandes Pequenas areias do mar Infinita são as palavras Mas elas custam a secar Na garganta, presas O ar, obstruído pelos pulmões Indo no mais íntimo do vazio a soprar Cicatrizando, talvez Porque as mãos entrelaçadas a dançar Vão rabiscando cada palavra alarmante Extravasando, sem beira e sem eira A pronunciar. NOVA POESIA 61 II Digo do poema As mais belas palavras Singelas Como o amor sobrenatural intenso Pronuncias que permeiam a alma Sendo expostas num profundo e inteiro poema Sem medida, ao infinito Pois as curvas de cada letra Dentro do poema Vai sem rumo, sem direção Apenas com o intuito De satisfazer, aliviar A pressão Pressão das palavras grudadas, confinadas Na mente e no profundo Do coração, emoção Então de par em par se envolvem Para que antes que o ar sufoque Haja libertação, antes da destruição.