ATRAVÉS DE UM POEMA (Rafaela P. Campos De Santana )
I
Vejo-me diante da minha própria sombra
Segredos, anseios
Tormentos, devaneios
A fantasia de um amor, que nunca soube amar
Então me escondo, mesmo envolvida nas grandes
Pequenas areias do mar
Infinita são as palavras
Mas elas custam a secar
Na garganta, presas
O ar, obstruído pelos pulmões
Indo no mais íntimo do vazio a soprar
Cicatrizando, talvez
Porque as mãos entrelaçadas a dançar
Vão rabiscando cada palavra alarmante
Extravasando, sem beira e sem eira
A pronunciar.
NOVA POESIA 61
II
Digo do poema
As mais belas palavras
Singelas
Como o amor sobrenatural
intenso
Pronuncias que permeiam a alma
Sendo expostas num profundo e inteiro poema
Sem medida, ao infinito
Pois as curvas de cada letra
Dentro do poema
Vai sem rumo, sem direção
Apenas com o intuito
De satisfazer, aliviar
A pressão
Pressão das palavras grudadas, confinadas
Na mente e no profundo
Do coração, emoção
Então de par em par se envolvem
Para que antes que o ar sufoque
Haja libertação, antes da destruição.