Barroso
Noticias de
15 de Novembro de 2014
11
As vocações
Pe Vítor Pereira
Entre os dias 9 e 16 de
Novembro, a Igreja dedicou uma
semana aos seminários e a rezar
e a refletir sobre as vocações
sacerdotais, como sempre o faz
todos os anos. A motivação já
vem do tempo de Jesus: «A seara é
grande, mas os trabalhadores são
poucos. Pedi ao dono da seara que
mande trabalhadores para a sua
seara». Hoje, mais do que nunca,
a Igreja sente o desconforto e o
transtorno desta necessidade. Há
dioceses que já começam a ter
grandes dificuldades com a falta
de padres, com grande prejuízo
para o bem espiritual e religioso
rebentam flores. Deus nunca
deixou ou deixa de chamar e de
proporcionar todos os meios para
o homem responder. O homem
é que pode não andar muito
sintonizado com os apelos e os
chamamentos de Deus. O mais
correto é falarmos em falta de
identificação e de consolidação
de vocações, ou se quisermos,
por outras palavras, não se
tem promovido um verdadeiro
ambiente para Deus ser escutado,
porque do lado de Deus vocações
não faltam. E se se estipulou que
esta «desgraça» veio para ficar,
lembro que há dioceses que vão
ordenando padres quase todos os
anos, embora, como é notório, as
ordenações não são suficientes
para as necessidades. Há falta
de vocações e não «crise» de
vocações.
Devido à sua fé madura e ao
seu amor à Igreja, há cristãos que
manifestam alguma preocupação
e se empenham na oração e no
apoio aos jovens, procurando
perscrutar e incentivar sinais
vocacionais.
Mas
também
há muitos cristãos que ainda
vivem absortos na indiferença,
O celibato é um dom, é um carisma, é uma graça que Deus
concede ao ser humano por amor e para o amor. Fala-se
sempre de forma negativa do celibato e não se salienta o
seu conteúdo humano, espiritual e afetivo, os seus aspetos
positivos, nomeadamente a liberdade e a disponibilidade
para os outros...
do povo de Deus.
Ainda assim, recomendo
sempre nas minhas comunidades
que não se fale em «crise de
vocações». Para quem confia e
acredita em Deus, não há tempos
de crise, porque Deus nunca deixa
de estar presente com a sua graça
e o seu amor em todos tempos,
apontando sempre caminhos de
vida nova e de esperança para a
humanidade. As nossas leituras
mundanas e «descrentes» é que
nos levam a ter horizontes estreitos
e a ver terra queimada onde já
na convicção de que Deus
continuará a fazer milagres e que
o tempo tudo compõe. Para além
de uma atitude errada perante
Deus, enquanto assim se pensa,
estão-se a desperdiçar vocações e
a lesar a organização e a vitalidade
da Igreja. As vocações sacerdotais
exigem uma ação concertada
de todos e a disponibilidade e a
atenção de todos.
São muitas as causas que
se apontam para o decréscimo
das
vocações.
Uma
que
é incontornável é a baixa
natalidade. Hoje as famílias, na
BOTICAS
Finalista do Prémio
“Município do Ano 2014”
da Universidade do Minho
projetos de Valpaços e Vinhais,
tendo este último reunido
as preferências do júri do
concurso e conquistado o
respetivo galardão na categoria.
No final, acabaria por ser
Lisboa, com o projeto “Há Vida
na Mouraria”, a conquistar
o Prémio Município do Ano
Portugal 2014. A capital
venceu também na categoria
de Município do Ano da
região de Lisboa, enquanto nas
restantes oito categorias foram
distinguidos os Municípios de
Guimarães (Norte), Vinhais
(Norte com menos de 20 mil
habitantes), Fundão (Centro),
Idanha-a-Nova (Centro menos
20.000 habitantes), Odemira
(Alentejo), Estremoz (Alentejo
com menos 20 mil habitantes),
Tavira (Algarve), e Funchal
(regiões autónomas).
Os Prémios «Município
do Ano» são a iniciativa mais
visível da UM-Cidades, uma
plataforma que se propõe
contribuir para preencher a
lacuna entre o conhecimento,
a política e a prática na
temática das cidades e das
O Município de Boticas
ficou incluído entre os 28
projetos nomeados para o
“Prémio Município do Ano
Portugal 2014”, promovido
pela plataforma UM-Cidades,
sediada na Universidade do
Minho, e cuja cerimónia de
entrega dos galardões teve
lugar na passada sexta-feira,
em Guimarães, onde marcou
presença o presidente da
Câmara Municipal de Boticas,
Fernando Queiroga.
De um total de 98
candidaturas submetidas apenas
28 projetos ficaram nomeados,
sendo distribuídos por várias
categorias. O Município de
Boticas “concorria” com o
Projeto “Nascer em Boticas”,
estruturado com base nos
apoios e incentivos à natalidade
atribuídos no concelho, na
categoria Norte - com menos
de 20 mil habitantes, junto
com os também nomeados
sua esmagadora maioria, têm um
ou dois filhos, três no máximo.
E serão muito poucas as que
desejam que um filho seu seja
padre, o que noutros tempos era
uma honra e uma alegria. Se a
natalidade baixou drasticamente,
as vocações, obrigatoriamente,
também baixaram. Decisivas são,
sobretudo, as causas culturais e
da mentalidade dominante do
tempo atual: a secularização da
sociedade (viver sem qualquer
referência ao religioso, ao
espiritual e ao transcendente); o
individualismo e consequentes
subjetivismo
e
relativismo,
proclamando-se
u