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Barroso
Noticias de
16 de Setembro de 2014
Ao longo do Trilho do Rio
Inicio a caminhada numa instável tarde de Abril, tendo como
ponto de partida a ponte dos Galegos, infelizmente já desmantelada.
Do meu lado esquerdo, sobranceiro a uma colina, encontra-se
um santuário num local aprazível,
em que se celebra o culto da senhora da Vila de Abril, também
conhecida pela senhora do leite
ou da expectação. Este culto a Nª
Sª. Mãe está bem patente na formosa imagem de Nª Sª da Vila de
Abril, a mais antiga e valiosa de
Barroso e talvez da diocese de Vila
Real, dando o peito ao seu menino. Celebra-se o seu culto a 8 de
Setembro. É sem dúvida o santuário mais interessante do Rio, antigo e de muita devoção por parte
das suas gentes.
Para visitar a fonte das Caldas, afasto-me temporariamente
do trilho, e corto à direita em direcção ao paredão da represa do
Alto Cávado. Aqui chegado, tomo
o caminho para jusante, paralelo
ao rio, acerca de 400 m tomar o
caminho à direita que desce na
direcção do Cávado. A nascente
está entre penhascos sobranceiros
ao rio densamente povoados de
arvoredo. Natureza das águas: Bicarbonatada mista silicatada. Subgrupo das sulfúreas sódicas, hipotermal. Alcalino-sódicas. Tipo de
exploração: águas para lavagens.
Indicações: pele (sobretudo contra
os “cravos”) e aparelho digestivo.
Esta fonte sempre andou intimamente associada a fenómenos do
sobrenatural, ou fosse por causa
do seu forte odor ao
Retomo o caminho de retrocesso para voltar novamente
ao ponto de partida. O percurso
segue enxofre, ou por qualquer
outro motivo que me escapa. uma
encosta de linhas suaves até à proximidade de S Pedro, aconchegada a uma acrópole. É unânime
por parte dos historiadores e dos
estudiosos locais, que neste local,
na época castreja, existia um Castro -- Pelo menos a acrópole do
Alto do Facho, reúne todas as características topográficas para que
assim tivesse acontecido --. Em 19
de Maio Welesley, um dia após
as tropas francesas terem passado
a fronteira, depois de ter deixado
Montalegre, faz uma curta permanência em S. Pedro, onde é publicada a Ordem do Dia. Através
dessa Ordem criticasse o comportamento da soldadesca inglesa em
acções nada abonatórias do exér-
cito inglês, como o saque e a pilhagem, sobre a população. Uma
vez galgada a ladeira, depara-se
ante nós uma vasta largueza de
horizontes cortada a poente pelo
formidável espinhaço do Gerês!.
A partir daqui somos sempre confrontados com a omnipresença
da augusta serra. Em tempos idos
esta via tornou-se o principal eixo
de ligação entre a região do Rio
e Montalegre, servindo povoados
distantes como Ferral, Covêlo, Cabril.. O seu traçado seguia a meia
encosta da margem esquerda do
rio Cávado, abrupta e poderosamente escavada, em cujo talvegue
se lança apressada e espumosa a
correnteza do Cávado.
O percurso daqui até Vilaça
é quase plano. Surgem a miúdo
charcos de água, refém das inúmeras depressões do caminho, em
cuja plácida superfície se espelha
o deslizar célere das nuvens no
vasto espaço. O gorjeio dos pássaros acompanha-me com frequência como que a incentivarem os
viandantes que se aventuram por
estas paragens, a que se sobrepõe,
uma vez por outra, o crocitar seco
e desabrido dos corvos. Após uma
curva do caminho avisto o povoado de Vilaça, acomodado numa
chã recôndita de terrenos úberes e
com abundância de águas.
Esta localidade foi objecto
de um excelente estudo de Bodo
Freund: «Antigo Cadastro de Vilaça», existente no Arquivo Distrital de Braga 1572, publicado na
revista Finisterra, em que o autor
analisa a evolução da propriedade e da localidade ao longo do
tempo. A sua existência remonta
aos alvores da fundação do reino,
como o atestam as inquirições
afonsinas. O núcleo primitivo teria sido o Paço, a parte mais alta, a
partir do qual se expandiu o futuro
burgo. O autor citado faz igualmente alusão a alguns topónimos
de raiz germânica que se encontram no seu termo, ao longo da
margem do rio, tais como: Gundurmil, Diezele, Bergunte… Sugerindo a ocupação do lugar por
algum senhor de estirpe teutónica;
muito provavelmente Suevo,( séc.
VI). Probabilidade essa reforçada
pelo meritório trabalho de investigação : «Paróquias Suevas e Dioceses Visigóticas », do historiador
A. De Almeida Ferreira. Nessa
obra o autor traça um estudo da
toponímia, da localização e da
formação das mesmas. Contim
( Gundini ) lá vem mencionada
como uma paróquia Sueva integrada na jurisdição da diocese
Bracarense.
Vilaça era detentora de um interessante património arquitectónico, até ao dia em que um caudilho local, perante o alheamento
da comunidade, se lembrou de
fazer tábua rasa desses vestígios
patrimoniais, arrasando quase
tudo. Talvez considerando que já
era tempo de “modernizar” o lugar, dando-lhe um ar mais garrido,
mais apimbalhado - perdoe-se-me
a expressão -. Pergunto: como é
possível uma tão grande incúria e
uma tão gritante ausência de sensibilidade pelo património ?!..
Anda associado a Vilaça, verdade ou não, um dito um tanto
jocoso, em que um vigário tendo
sido nomeado pároco do lugar,
viu reduzida drasticamente a sua
antes que o reverendo chegasse
escapulia-nos para colhermos uns
bolsos de castanhas. Hoje nada
mais resta desse sítio encan