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Barroso
FERRAL
Noticias de
16 de Setembro de 2014
Feira do Prémio 2014
Realizou-se no dia 6 de
Setembro a feira anual de
Ferral, que como de costume a
Junta de Freguesia promoveu o
63º concurso de Raça Barrosã.
Estiveram ali representados
animais de primeira linha que
foram seleccionados por uma
equipa liderada pelo Médico
Veterinário Dr. José Leite da
Associação do Gado Barrosão
(AMIBA).
Estiveram
presentes
criadores do concelho de
Montalegre e dos concelhos
vizinhos. Foram atribuídos
prémios importantes a criadores
de gado do concelho de
Montalegre, nomeadamente a
criadores da freguesia de Salto,
que apresentaram em todos as
categorias bonitos animais.
O encontro terminou com
a entrega dos prémios aos
criadores pelos Presidente
da Câmara e da Assembleia
Municipal, Orlando Alves e
Fernando Rodrigues e muitos
outros presentes no local
como a vereadora da cultura
Dr.ª Fátima Fernandes, e dos
Presidentes de Junta e outros
membros das freguesias de
Montalegre, Ferral, Cabril,
Venda Nova, Salto e Covêlo do
Gerês.
No final da entrega dos
prémios, todos os presentes
foram
convidados
pelo
presidente da Junta de Ferral,
Aníbal Ferreira, para um almoço
volante a que acederam mais
de 400 pessoas que estiveram
presentes no evento.
Da parte de tarde, estava
prevista a realização de três
chegas de bois que também
decorreram
muito
bem,
com dois bois de criadores
da freguesia (Guilherme do
Oliveira, de Ferral, e da casa
do Melitão, de Sacuselo) a
baterem com valentia os seus
adversários.
A festa encerrou com
cantares ao desafio e a atuação
de um conjunto musical, que
animou a noite.
Manuel Afonso Machado
A Miséria em Portugal
Neste passado domingo, na
sequência de estar em Lisboa um
estado razoável do tempo, mas
também por muitos dos cafés
por mim frequentados, ao redor
da minha residência, estarem
fechados, acabei por quedar-me
na varanda da frente, lendo a
excelente obra de Donna Tartt, A
HISTÓRIA SECRETA, editada pela
Dom Quixote.
Aí pelas duas e meia, dei-me
conta de um homem, usando
uma bicicleta, ter parado junto
de um conjunto muito vasto de
tralha – um dos elementos era
até um colchão –, destinada a
ser recolhida, nessa noite, pela
camioneta do lixo. Pois, lé esteve,
esgravatando por tudo quanto por
ali estava, colocando num saco
grande, que parecia ser de pano,
o que se lhe mostrou como de
interesse. Um homem com o
aspeto de quem estava subnutrido
e bem poderia viver como sem-
abrigo.
Parei a minha leitura, de
um modo discreto, de molde a
acompanhar o que estava a passarse, tendo seguido o movimento
do referido concidadão ao longo
da rua, esgravatando em diversos
outros caixotes ou locais que
haviam despertado a sua atenção.
Devo dizer que, em boa
verdade, embora me tenha esta
situação causado algum malestar, a verdade é que já não se
trata de algo novo. De há muito
tive a oportunidade de assistir a
situações deste tipo, em geral com
homens e de meia idade – entre os
trinta e cinco e os quarenta e cinco
anos. O que desta vez me chocou
foi o que me foi dado ver cerca de
dez minutos depois deste nosso
concidadão ter deixado o referido
lugar.
Estava eu de novo embrenhado
naquele romance, já em pleno
terceiro capítulo, quando me foi
dado ver um outro concidadão
a vasculhar naquela lixeira
temporária. Desta vez, porém, o
referido senhor aparentava uns
quarenta anos, vestia bem, embora
as calças deixassem transparecer
uma magreza inesperada. Possuía,
de resto, uma mui boa aparência,
estando mesmo barbeado. A
minha admiração, desta vez, não
se ficou pelo quadro social, mas
pelo período de retorno surgido:
dez minutos.
Regressado, de novo, à
leitura, eis que, quinze minutos
depois, surgiu uma senhora
idosa, com um pequenino cão
preso por uma trela, lá iniciando
o vasculhar do que restava da
lixeira temporária inicial. Uma
lixeira que, indubitavelmente,
havia diminuído. Pois, esta
senhora reapareceu cerca de
uns dez minutos depois, por ali
se quedando uns cinco, e logo
seguindo no sentido da zona de
onde proviera. Simplesmente, em
trinta segundos surgiu, do lado
contrário, um quarto concidadão,
que também vasculhou o que
restava, tendo retirado o que
entendeu e regressado para o lugar
de onde surgira.
Muito mais tarde, já depois de
ter saído da varanda e ter trabalhado
numa das minhas pinturas, ao
regressar à varanda – as dores nas
costas...–, lá fui encontrar dois
jovens, bem vestidos, de calções,
um com muito melhor aspeto que
o outro, apreciando se valeria a
pena levar, no regresso, o colchão
ali abandonado.
Tudo isto terá tido lugar
durante cerca de duas horas e
meia, sendo que na manhã desta
segunda-feira, estando ainda lá
o colchão, o montículo estava
imensamente reduzido. Ou seja,
terão continuado as recolhas de
muitos dos bens ali colocados.
Uma realidade que, como se
percebe, tem de ser diária e
apresentar uma distribuição muito
uniforme nos grandes aglomerados
urbanos.
Um dado é certo: tirando a
velha sopa dos pobres, eu nunca
tinha assistido a um horroroso
espetáculo deste tipo. No velho
tempo, é provável que esta
rea lidade
também
estivesse
presente mais no interior do País,
mas em Lisboa nunca a vi, para
lá do apoio dado, localmente,
a muita gente conhecida, ou de
concidadãos que pediam nas ruas
ou até realizavam entretenimento
público, esperando doações de
quem passava. Na III República,
porém, o que vi nesta segunda-feira
é uma realidade verdadeiramente
terceiro-mundista em Lisboa.
Um horror! Um horror que se
desenrolava a menos de trezentos
metros de uma paróquia...
Hélio Bernardo Lopes, jornalista