Newsletter AEAC N.º 7 março 2026 | Page 40

Visita de estudo: José Saramago, o Homem e a Obra Professoras Ilda Guimarães, Maria João Alves, Sandra Fernandes e Teresa Faustino

“ Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez.”
E desta vez, a 24 de março, os alunos do 12.º ano assistiram à dramatização do singular romance“ Memorial do Convento”, obra-prima da literatura portuguesa, merecedora do maior prémio literário a nível internacional, o Nobel da Literatura( 1998).
Esta não foi apenas mais uma visita de estudo, mas antes o testemunhar da grandeza, peculiaridade e irreverência de diferentes obras nacionais, em tempos distintos e distantes, diversos espaços icónicos, que despertam memórias e acicatam sonhos.
Em Mafra, para além da dramatização da obra( ou parte dela), os alunos puderam maravilharse com a imponência do seu Convento-Palácio( Séc. XVIII), satisfazendo os caprichos faustosos de um rei,“ D. João, quinto do nome na tabela real”, pela pátria e por vontade de Deus, cuja morosa e complexa construção inspirou a escrita deste romance, também ele imponente e extraordinariamente complexo.
Depois, de regresso a Lisboa, o destino foi a Fundação José Saramago, sediada na emblemática e histórica Casa dos Bicos: mandada construir por Brás de Albuquerque, em 1523, foi armazém de bacalhau, sede da Comissão dos Descobrimentos e desvenda ainda nas suas fundações memórias de tempos passados( ocupação romana, um troço da muralha fernandina e restos de cerca moura). Aqui, e agora, o tempo foi consagrado a José Saramago: o Homem e a Obra. Os alunos puderam apreciar de facto a vastíssima obra deste autor, o seu sinuoso percurso de vida, a internacionalização da sua escrita( tradução em dezenas de línguas diferentes), o rigor e o labor do seu ato“ criativo”, o diluir das fronteiras entre a literatura e a 7 ª Arte( adaptações cinematográficas), os anseios e as angústias do homem-escritor –“ A semente e os frutos” para um mundo melhor –, a intemporalidade e a imortalidade de uma escrita humana e humanizada.
Era uma vez …
40