A Missão JUICE: UMA VIAGEM A Júpiter e às suas luas geladas! Prof. Bruno Dias No dia 23 de janeiro os alunos do 11.º ano do curso Ciência e Tecnologia( 11.º A, 11.º B e 11.º C), acompanhadas pelas professoras Raquel Silva e Tânia Ervideira, assistiram à palestra“ A missão JUICE: uma viagem a Júpiter e às suas luas geladas!” preferida pela investigadora Maria Luísa Arruda no auditório da escola. O professor Bruno Dias apresentou a conferencista.
O Clube Ciência Viva“ Ciência … Ide Vê-las” organizou esta palestra com o intuito de mostrar a ciência planetária que se está a fazer, com o envolvimento de cientistas portugueses, que pretendem estudar satélites gelados nas imediações de gigantes gasosos pois, surpreendentemente, podem possuir água no estado líquido, o que os torna um alvo prioritário para atuais e futuras missões, para estudar a potencial habitabilidade desses mundos gelados.
A oradora iniciou a palestra falando de um modo resumido sobre a missão JUICE( JUpiter ICy moons Explorer), a radiação no espaço interestelar e as suas consequências na saúde humana. Posteriormente, desenvolveu o tema principal da palestra, a missão JUICE. A conferencista começou por falar da ligação entre a existência de água no estado líquido nestes satélites e a sua habitabilidade. Por isso, mostrou a percentagem provável de água nos satélites Ganimedes, Titã, Europa e Encelado, comparando-a com a percentagem de água líquida na Terra atual e no passado distante de Marte.
Depois de referir o que levou à decisão de avançar com esta missão, a investigadora indicou o dia em que foi lançada a missão: 14 de abril de 2023. De seguida, tratou da radiação cósmica que irá acompanhar o veículo espacial, indicando a origem desta. A maioria tem origem no Sol. Contudo há raios cósmicos que tem origem algures na nossa galáxia e, há outros ainda, muito mais raros, com uma origem extragalática. A radiação pode comprometer uma futura missão espacial ao planeta Marte, que irá ter um tempo de permanência maior no espaço de astronautas.
A Missão JUICE, da qual faz parte a nossa conferencista, irá dedicar a sua atenção a três dos quatro satélites galileanos( Ganimedes, Europa, Io e Calisto) em especial Ganimedes, mas também a Europa e Calisto. A investigadora mostrou imagens tiradas pelo telescópio espacial Hubble onde é visível geisers a serem expelidos da superfície do satélite Europa. Isso indica a possibilidade de existir um oceano de água líquida debaixo da superfície gelada do satélite. A investigadora lançou a questão: Como é que isso é possível, tendo em conta a distância de Júpiter ao Sol. Se houvesse água, esta devia estar congelada. Alguns alunos tentaram responder. A resposta estava na imensa gravidade de Júpiter, que provoca um efeito de maré ainda maior do que o exercido pela Lua na Terra, que deforma o próprio satélite, aumentando a temperatura no interior deste, permitindo que haja água no estado líquido.
Ao centrar a sua atenção na missão JUICE, a investigadora mostrou onde estava, no sistema solar, a sonda da missão JUICE no dia da apresentação. É possível saber onde está a missão JUICE a cada instante no espaço( Link no fim do artigo). Foi-nos mostrada a cronologia da viagem da missão até chegar a Júpiter, em julho de 2031, realizando uma série de flyby( sobrevoar as luas sem nelas pousar, aumentando a sua velocidade) nas luas geladas de Júpiter até novembro de 2034. Depois irá ficar em órbita do maior satélite do sistema solar, Ganimedes( maior do que o planeta Mercúrio!), até setembro de 2035.
Posteriormente a investigadora falou dos instrumentos a bordo da sonda que irão fazer as medições científicas. Nomeadamente do RADEM( RADiation hard Electron Monitor), que está e irá medir a radiação cósmica, como eletrões e protões, assim como a direccionalidade destes. Foi neste instrumento que os cientistas portugueses do LIP trabalharam. Para calibrar os seus instrumentos, mediram a química na Terra num flyby, concluindo, com um toque de humor, que era habitável. Esta ideia de calibrar os instrumentos com valores já conhecidos é fundamental, pois perante corpos menos conhecidos, é fulcral ter confiança nos valores medidos, para que se possa retirar conclusões corretas. Os cientistas aproveitaram ainda a visita do famoso cometa interestelar 3I / Atlas, o terceiro objeto conhecido, vindo de fora do sistema solar, para tirarem medidas, conseguindo detetar a cauda de plasma e uma potencial cauda de poeira.
A palestra terminou com a referência aos quatro cientistas portugueses envolvidos na missão JUICE, entre os quais está a nossa conferencista, Luísa Arruda. Depois houve ainda espaço para questões dos alunos e as respostas da conferencista. Os alunos apreciaram o tema e a clareza da oradora.
Link: Posição da missão JUICE no sistema solar. https:// www. cosmos. esa. int / web / juice / trajectory-browser
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