My first Magazine A Luta Bebe Cerveja - Ana Sens | Page 23
A LUTA BEBE CERVEJA
as ruas proibidas
as praças proibidas
as bocas proibidas
as rezas proibidas
as crianças proibidas
as dores
os amores
as paixões
os versos
e a rouquidão desafinada da noite
No boteco,
provamos de sua farofa
cheiro de quitanda de subúrbio
engolimos seu espaço simples
frito com calabresa,
batido com limão, democrata,
recheio de notícias de fome
Todo o mundo nas mesas de lata
misturado aos ossos do ladrao atropelado
aos ossos do frango sorteado em bingo e
aos cartazes que nos tragam, baforadas
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Perpetuamos os porres
afogando os olhos
arrebitando o fígado
gozando a poesia
confundindo a lucidez
embaçando as noites perpétuas
E rindo dela
Gargalhando dela
A escuridão que nos envolve.