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PORTUGAL
MUDARTE: Consciencializar os jovens para a violência.
Cascais, Raquel Amaral
Quando começámos as sessões do projeto MUDARTE, no início do ano letivo 24 / 25, percebemos que, para a grande maioria das crianças e jovens, o conceito de violência era apenas associado a violência física(“ bater”) ou bullying.
Ao aplicarmos um questionário inicial aos alunos, constatámos que, por exemplo,“ chamar nomes aos colegas”,“ espalhar rumores” ou mesmo“ apalpar ou tocar em algum colega contra a sua vontade” não eram considerados comportamentos violentos. Questões ligadas ao digital, como“ partilhar fotografias ou vídeos de alguém, sem a sua autorização”,“ utilizar perfis falsos nas redes sociais” ou“ enviar mensagens a gozar ou espalhar rumores sobre algum colega” não eram facilmente identificados como sendo violentos.
Também, a adoção de comportamentos violentos não era reconhecida pelos alunos. Recordo um exemplo, no qual alunos nos diziam que era aceitável exigir passwords dos telemóveis, ou redes sociais de um parceiro, como forma de avaliar a sua lealdade e até o seu grau de paixão. Ou uma outra situação, na qual, uma rapariga nos disse, que achava normal criar um perfil falso numa rede social, para ver o comportamento do namorado online. E nada disto era visto como sendo exemplos de um comportamento violento; apenas era sentido como uma forma de amor.
Foi, assim, com alguma surpresa, mas também com muita motivação, que partimos para as sessões do MUDARTE em 7 turmas de escolas do Concelho de Cascais. O objetivo era trabalhar com os alunos para que, além de terem uma maior consciência sobre estes temas, pudessem mudar possíveis comportamentos violentos. Mas também pudessem agir, quando confrontados com situações de violência, sejam elas físicas ou psicológicas.
Ao longo de 7 sessões em cada turma, fomos construindo um caminho de consciencialização dos jovens através de dinâmicas de grupo e do método do Teatro do Oprimido.
Terminado o projeto, voltámos a aplicar o mesmo questionário e pudemos perceber a evolução das aprendizagens dos jovens sobre a violência. Face aos resultados, acreditamos que agora os alunos e professores estão mais conscientes, não só sobre a violência física, como também sobre o cyberbullying ou a violência psicológica, e também mais preparados para lidar com estas situações, seja em contexto escolar ou não.
O impacto positivo do projeto foi ainda facilmente percecionado quando foi pedido aos jovens e professores que partilhassem com a comunidade escolar o resultado das suas aprendizagens.
Na Escola IBN Mucana, os alunos criaram cartazes a alertar os colegas para os diferentes tipos de violência e o que fazer caso sejam confrontados com alguma dessas situações. Foi muito interessante ver que, na maioria dos cartazes expostos, o tema da violência psicológica e do cyberbullying foram os que mais se destacaram, o que mostra claramente que, depois da participação dos alunos no projeto, existe uma maior consciencialização para estas situações. Os cartazes foram afixados num pavilhão de salas de aulas, podendo assim chegar a muitos alunos daquele estabelecimento de ensino.
Já na Escola Básica de Santo António da Parede, a ideia para partilhar os resultados do projeto passou pela criação de um mural, numa das paredes do recinto escolar. Para que o resultado fosse mais impactante, convidámos o artista cascalense Carlos Stock para transformar as aprendizagens e vivências das crianças numa imagem apelativa, visível para toda a comunidade escolar. O artista reuniu-se com representantes das 4 turmas que participaram no projeto e chegou-se à