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ESTÓRIAS

comunidade de Chinda continua viva .

Nampula , Carlos Almeida

Sempre que falo ou escrevo sobre Mocímboa da Praia ocorrem-me várias sensações . Esta vila , no extremo norte do país e da Província de Cabo Delgado , apareceu nas notícias por ter sido alvo de uma incursão de insurgentes islamitas , a 5 de Outubro de 2017 . Depois , os atos terroristas espalharam-se por vários pontos da província , sendo que em dois momentos de 2020 viria a sofrer novos ataques , o segundo dos quais , em agosto , levou ao êxodo total da Vila , tendo Mocímboa da Praia ficado até muito recentemente nas mãos dos terroristas . Desde 2011 , que a Helpo trabalha numa comunidade do Distrito de Mocímboa da Praia , a aldeia de Chinda , tendo posteriormente estendido o seu apoio à Escola Secundária Januário Pedro , com mais de uma centena de jovens a receber uma bolsa de estudo , que lhes permite sonhar mais um pouco e não ficarem vulneráveis a alternativas violentas . Importa referir , que alguns estudiosos sugerem , que a falta de alternativas dos jovens é uma das razões para a facilidade de recrutamento para engrossar as fileiras desta seita , que aterroriza o norte do país há mais de 4 anos . Sempre que me refiro ao envolvimento da Helpo na comunidade de Chinda , continuo a sublinhar que começou em 2011 , e não terminou , apesar da aldeia estar neste momento deserta , sem população . Apesar das informações que nos dizem terem as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique recuperado recentemente a aldeia e controlado toda a estrada até Mocímboa da Praia , que dista 50 km . A Helpo fez um grande esforço para voltar a encontrar as crianças que eram apoiadas em Chinda , contando com o apoio precioso do animador sociocultural Docta , que conseguiu localizar grande parte destes jovens e suas famílias . Conseguimos perceber que o telemóvel continua a ser uma ferramenta fundamental e , apesar de estar deserta , a Aldeia de Chinda continua viva , pois familiares , vizinhos e amigos continuam em contacto , mesmo que esta situação terrível , por que estão a passar , os tenha feito ficar a centenas de quilómetros uns dos outros . Esta procura por meninos e meninas da aldeia de Chinda está na génese do Projeto Escola do Caminho Longo , que conta a história de 20 jovens , na sua maioria de Chinda , que foram obrigados a fugir para salvar as suas vidas . São relatos pesados de vidas que se adiaram e que mudaram radicalmente , sendo que algumas delas estão , neste momento , a mais de 700 quilómetros da sua terra natal ! O processo de reencontrar estas crianças e suas famílias foi uma autêntica construção de um puzzle . Partindo de contac-