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� o mundo não parou !

Vila Nova de Famalicão , Isabel Fernandes

Omundo tem , neste momento , os olhos postos na CO- VID-19 . Mas o mundo , a cada segundo , gira ! Está em constante movimento . Assim é o mundo , assim são as pessoas e assim é a equipa da Helpo em Dombe ( Moçambique ). No ano passado , os telejornais abriam com notícias sobre o Ciclone Idai . Meses depois do maior desastre natural da História de Moçambique ter emocionado o mundo e de continuarem a existir imensas necessidades para recuperar a vida dos que perderam tudo em pouco mais de 72 horas , o Governo Português , através do Camões , I . P ., tendo em vista conciliar disponibilidades do setor público e privado para contribuir financeiramente para o auxílio às vítimas , criou o Mecanismo de Financiamento para Apoio à Recuperação e Reconstrução de Moçambique . A Helpo , por ter estado ativamente na fase de emergência em Dombe , não hesitou e comprometeu-se a desenhar um projeto para dar continuidade ao trabalho feito . Arregaçámos mangas e , em conjunto com outra ONG portuguesa , a TESE , desenhámos um projeto : RESPI – Reconstrução e Resiliência nas Estruturas de Saúde e População pós-Idai , na região de Dombe . Dombe é um Posto Administrativo , está equiparado a uma freguesia em Portugal , que pertence ao distrito de Sussundenga , equivalente a um nosso Concelho , que por sua vez faz parte da Província de Manica , como se fosse um Distrito em Portugal . O desenho deste projeto teve como foco a saúde nutricional materno-infantil , tendo como principais preocupações : As mulheres grávidas e lactantes ( MGL ) e crianças até aos 5 anos de idade encontrarem-se em situação de elevada vulnerabilidade , tendo piorado significativamente após a passagem do ciclone , por estarem deslocadas , a viver em habitações precárias e sem acesso às culturas alimentares das machambas ( hortas ) familiares de que dispunham ou às redes informais de suporte à população ; O possível aumento de casos de desnutrição a curto e médio prazo , devido à escassez de alimentos e destruição das colheitas ; A pressão populacional criada pela existência dos reassentamentos e a estimativa de aumento dos casos de desnutrição obrigarem a um ajuste nas respostas , ao nível da saúde que estão ao dispor e ao alcance desta população ; A necessidade de haver uma intervenção que mobilize a comunidade e que contribua para a adoção de boas práticas de consumo , armazenamento e transformação de alimentos , que possa promover comportamentos resilientes . Felizmente , o projeto foi aprovado e , mesmo com os desafios inerentes à presença da pandemia , estamos desde fevereiro no terreno , em duas unidades de saúde e em nove reassentamentos populacionais criados na resposta à emergência ao ciclone , onde habitam 13.209 pessoas . Temos , assim , de dinamizar várias atividades de forma a melhorarmos o acesso à saúde e o estado nutricional das mulheres grávidas e lactantes e crianças dos 0 aos 59 meses . Estas atividades são tão diversas e tão necessárias no terreno . Por cá , os desafios são diários e por isso cada passo é uma conquista , que deve ser celebrada . Tal como celebramos a imagem desenhada especificamente para este projeto , tendo como fonte de inspiração rostos de mulheres reais de Dombe . Prometemos que nas próximas edições iremos trazer-vos mais novidades e curiosidades sobre a implementação das atividades deste projeto em Dombe .