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ta das centenas de milhares de vidas que foram arruinadas , sem escrúpulos ou misericórdia , de pessoas inocentes , que muito dificilmente terão os meios para se voltar a reerguer . Esta enorme crise humanitária já ultrapassou as fronteiras internas moçambicanas e as zonas para onde as pessoas fogem não são apenas na Província de Cabo Delgado , mas também na Província de Nampula , onde já chegaram mais de 30 mil deslocados internos . A Helpo não podia ficar indiferente ao crescente agravamento da situação , principalmente a partir do momento em que estas pessoas começaram a chegar , aos milhares , às comunidades onde a Helpo

“ São histórias dolorosas de recordar (...) porque não deveriam ser vividas ” tem intervenção . As primeiras ações da Helpo neste sentido aconteceram em janeiro de 2020 , com a distribuição de bens alimentares e roupa nos bairros de Mahate e Muxara , em Pemba , e chegou a 227 deslocados internos . Mais tarde , em abril , a Helpo entregou cerca de 3500 peças de roupa e calçado à Cáritas de Pemba , que fez a distribuição para os grupos familiares mais vulneráveis de deslocados internos , nos Distritos de Pemba e Chiúre . No 2 .º trimestre do presente ano , a intensidade e gravidade dos ataques armados cresceu e isso foi visível nos meses que se seguiram com um aumento exponencial de deslocados internos e a chegada destes à Província de Nampula , particularmente à Vila de Namialo , que é um ponto de passagem obrigatório na movimentação entre províncias , entre a cidade de Pemba e a cidade de Nampula . Em julho , a Helpo fez mais duas ações de emergência , nomeadamente na Vila de Namialo , onde distribuiu cerca de 1400 mantas e 4500 peças de roupa e calçado a 600 famílias de deslocados internos , e , mais uma vez , no bairro de Mahate , em Pemba , onde entregou cerca de 4000 peças de roupa e calçado à Missão São Carlos Lwanga , destinadas sobretudo a crianças até aos 6 anos , parte dos milhares de famílias de deslocados internos presentes naquele bairro . Nesta altura , as comunidades apoiadas pela Helpo não param de receber novas famílias de deslocados internos e , na Vila de Namialo , centenas de novas pessoas chegam diariamente . Esta crise , provocada pelos conflitos armados no norte do país , aliada à já enraizada pobreza multidimensional e agravada pelos ciclones e pelo surgimento da COVID-19 , colocam Moçambique num dos momentos de maior fragilidade , vulnerabilidade e instabilidade da sua História . Perante esta situação , a Helpo decidiu dar uma resposta mais forte e com maior impacto a esta crise , elaborando um plano operacional de emergência , dividido em duas fases e abrindo uma campanha de recolha de fundos especificamente direcionada para financiar a implementação deste plano . O objetivo da Fase I é aliviar o sofrimento da população deslocada através da distribuição de Kits de Sobrevivência , compostos por bens alimentares , utensílios de cozinha e material de higiene , entrega de Kits de Roupa . Ao mesmo tempo , realizamos rastreios nutricionais e entrevistas às famílias beneficiárias , que disponibilizarão a informação necessária com vista à implementação da Fase II , que é a integração das famílias deslocadas nas estruturas formais existentes na comunidade envolvente . No final de julho , foram identificadas mais de 16 mil pessoas que se deslocaram para as comunidades de Namialo , na Província de Nampula , e Silva Macua , Mahera , Impire e Miéze , na Província de Cabo Delgado , onde a Helpo começou a intervir em 2009 . No mês de agosto , a equipa da Helpo deslocou-se a es-