ESPECIAL EMERGÊNCIA
construindo
pontes de esperança.
Dombe, Hélia Sêda
A
identidade de um povo não
se resume ao simples existir
e, apesar da unidade do país,
diferenças e semelhanças estão paten-
tes no semblante da população, que de
forma direta ou indireta, sofre ainda os
efeitos causados pelo ciclone Idai.
Poucas vezes consigo transcrever com
exatidão o que esta missão de emer-
gência em nutrição materno-infantil, no
Dombe, proporciona. Mas, com estas
palavras, pretendo evocar as minhas
memórias, falando do contributo das in-
tervenções efetuadas pela Helpo.
A magia e a peculiaridade das comuni-
dades do Dombe alimentam a esperan-
ça de melhorar o estado de saúde das
crianças e desenvolver alicerces para
uma vida adulta saudável; como patrio-
ta, o sentimento de pertença é cada vez
mais expressivo e, contribuir para a re-
cuperação da saúde das mulheres grá-
vidas, lactantes e crianças desnutridas,
torna-se cativante.
Passaram 6 meses após a passagem do
ciclone Idai e falar de nutrição envolve
uma gama de ações, intrinsecamente
influenciadas pela cultura, crenças, há-
bitos e costumes, que constituem bar-
reiras importantes, mas que devem ser
ultrapassadas para chegar à irradicação
da desnutrição. Também os tabus e mi-
tos alimentares associados ao consumo
de certos alimentos, particularmente
em mulheres grávidas e crianças, são
fortemente notáveis nas comunidades.
Nas zonas urbanas do país, a nutri-
ção é já um tema da atualidade, mas
o mesmo não se faz sentir nas regiões
rurais onde a maior parte da população
residente é, ainda, iletrada. Trabalhar
na área da nutrição e alimentação na
população de Dombe, tem sido de certa
forma revolucionário. Cada dia descu-
bro novas necessidades e transformo-as
em oportunidades.
Queria eu ser uma escritora para trans-
crever toda a minha experiência… In-
dependentemente de viver no norte,
no sul ou no centro de Moçambique,
a energia transmitida pelas comunida-
des é semelhante, mas cada região tem
uma expressão própria e causa em nós
impressões diferentes.