MAIS DO QUE PADRINHOS
obrigada, Faial!
Cascais, Margarida Assunção
Q
uerida Luísa,
Conhecemo-nos há 11 anos, no aeroporto, estava a
Luísa em trânsito, rumo a Moçambique, para conhe-
cer a sua afilhada à distância.
Achei-a de imediato um furacão! Logo ali
consegui ver também uma mulher simples
e de trabalho. Muito frontal. Alguém com
honestidade nos olhos, que espera en-
contrar o mesmo nos seus interlocutores.
Gosta de pessoas e de abraços e esconde-
-se dos holofotes.
Em março deste ano, encontrámo-nos na
sua Ilha do Faial, pela 6ª vez. Olhamo-nos
nos olhos. Deixamos cair as nossas capas
e demos um abraço apertado, em silêncio;
depois, contámos uma à outra como vai a
vida e o que temos feito. Há cansaço e es-
perança no ar.
Espera-nos mais um fim de semana de
Sopas do Espírito Santo a favor da Helpo.
Disse-me que são as últimas e, desta vez, acredito. É o olhar.
Sempre o olhar a comunicar com honestidade e o corpo, que
não me parece querer mais ser um furacão. Não deve ser fácil
ser um furacão!
Não me recordo se chegámos a dar-lhe algum feedback sobre
este dia, mas gostaria de lhe dizer, que
foi o almoço das Sopas mais bonito, a que
assisti: mesas enfeitadas de flores naturais,
luzes, que pareciam estrelas e informação
clara sobre a recolha de fundos a favor da
missão de emergência da Helpo para o
Idai.
Gostaria também de lhe dizer, que as
sopas cheiravam deliciosamente bem e
sabiam (claro!) ainda melhor!! A compo-
sição de ervas aromáticas, que a Deolinda
prepara, resulta na perfeição. Mas sei que
isto não é tudo e questiono-me em que
doses a alegria e o espírito de entrega das
gentes, que pisam a cozinha das Angústias,
enriquecem esta refeição. A memória tem
destas coisas e esqueci quase por comple-
to, que estava um dia frio e chuvoso. Recordo antes um dia
cheio de calor humano, iluminado por sorrisos.
“foi o almoço
das Sopas mais
bonito, a que assisti:
mesas enfeitadas
de flores naturais,
luzes, que
pareciam estrelas”