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 QUEM HELPA na sacola levo a vontade e na biblioteca já tenho os livros! Nampula, Inês Faustino A segunda-feira chegou. Recomeça a rotina escolar de levar os nossos filhos à escola, juntamente com as suas mochilas e sacolas cheias, cheias de livros, de material escolar e afins. Desde pequenos que têm os seus cadernos, os seus manuais escolares, as suas esferográficas e estojos preferi- dos, escolhidos e comprados de entre muitas outras hipóteses. Chegamos ao norte de Moçambique. É também segunda-feira e dia de ir para a escola. Na sacola, feita de pacotes de plástico de açúcar de quilo ou de sacos de farinha, os mais pequenos carre- gam o seu lápis de carvão, a sua borracha, os seus manuais esco- lares emprestados pela escola e alguns cadernos A5 já acasta- nhados pela poeira das salas de aula ao ar livre. A sacola é leve, mas ainda bem, porque o caminho ainda é longo até chegar à escola e vão a pé com os colegas ou sozinhos. Os mais crescidos, que estudam no ensino secundário, levam a sua mochila com al- guns cadernos, a sua esferográfica azul e a vermelha, o seu lápis de carvão, a borracha e a régua, quando a têm. Mais vazia do que a dos seus colegas do ensino primário, esta mochila é car- regada pelos mais crescidos sobre um uniforme branco imacu- lado e azul-escuro. Os manuais escolares, não têm. Muitos a pé, alguns de bicicleta e muito poucos de chapa (o transporte local), todos levam consigo a vontade de estudar mesmo que sem os requisitos de estudo a que nós, na europa, estamos habituados. Em Moçambique o ensino primário, que se estende da 1ª à 7ª classe é gratuito e os manuais escolares são emprestados aos alunos no início do ano. No ensino secundário, da 8ª à 12ª clas- se, que é pago, os manuais não são gratuitos. Os estudantes e as suas famílias não têm possibilidades económicas para os adquirir (um manual custa cerca de 7€ e o salário mínimo, para quem recebe, é cerca de 90€) e mesmo as escolas que têm bibliote-